terça-feira, 11 de março de 2014

Um conselho ao líder do PS

«Governo é que inviabiliza o consenso, acusa o PS»



Não estão a ficar fartos?

A J Seguro anda há anos a falar das regras do jogo, em vez de o jogar! É espantoso: cada vez que abre a boca é para criticar a forma, a maneira; nunca o fundo, o conteúdo.

das pouquíssimas propostas que lhe ouvi, as que fez sobre a Justiça, melhor teria feito se estivesse calado. das outras, nem me lembro.

Desconheço inteiramente o que é que AJ Seguro e o PS propõem ao país. Provavelmente, porque não propõem nada.

Mas estou bem recordado das polémicas permanentes sobre as comissões que recusa integrar porque não lhe deram uns papeis, ou porque se recusa a «colaborar» com o Governo, ou porque foi maltratado antes de o convidarem...

Nunca o vi tomar a iniciativa e dizer assim: «estas são as propostas do PS para Portugal; querem sentar-se à mesa e discuti-las connosco?». Tomar a dianteira, a iniciativa, liderar o processo político, Santo Nome de Deus!

Como é que é possível que Seguro ache que os Portugueses vão votar nele e no seu PS, se ao longo de anos não foi capaz de apresentar um projecto coerente para o País?

Se, ao longo de anos, a sua oposição se limitou a criticar a forma das coisas? As birras e as quezílias?

Dou daqui um modesto conselho ao líder do PS: escreva numa folha A4 aquilo que considera essencial para Portugal nos próximos 5 anos. Se for igual ao que o Governo nos propõe, diga que se limitaria a fazer melhor. Se for outra coisa, explique-nos qual é, mas acabe com essa lamuria constante de perdedor crónico, frases gongóricas e retórica sobre a forma de reflectir na maneira de evitar discutir o conteúdo.

Qual é a pressa? Eu digo-lhe: há eleições dentro de ano e meio, e o Senhor não está sequer a começar a estar preparado para Governar Portugal.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Europa e "periferia mental"


Há vários anos que, quase voz isolada, trabalho contra o que chamo a nossa crónica "periferia mental" relativamente à Europa e à política europeia: ligamos quase nada, debatemos pouquíssimo, sabemos muito pouco. Considero que essa é uma das nossas maiores pechas na União Europeia, um dos factores do nosso atraso. 

Hoje, pelo jornal i, conhecemos uma sondagem que nos dá o retrato actualizado da coisa:

  • «Apenas 14% dos portugueses dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a democracia em Portugal e a mesma percentagem repete-se no que diz respeito à satisfação com a democracia nas instituições europeias - números que fazem de Portugal o Estado-membro mais descontente da União Europeia (UE).»
  • «Esta insatisfação parece ter correspondência directa com o interesse nacional por temas europeus, já que o país ocupa a penúltima posição no interesse sobre o que é discutido em Bruxelas.»
  • «No interesse que os europeus têm sobre os temas discutidos no seio da União Europeia, os portugueses estão no fundo da tabela. Colocam-se nos 29%, sendo a média europeia de 43%.»
  • «Só 36% dos portugueses consideram que pertencer à União Europeia é "uma coisa boa".»

A coisa não melhorou, portanto, nestes últimos anos. Piorou até nalguns aspectos. E, à partida para as eleições europeias, os primeiros discursos e tiros de partida não vão no sentido de suprir esse défice. Antes talvez de o agravar.

Vamos certamente voltar a ouvir que "as pessoas não sabem para que é que vão votar". E caminharemos para uma indiferença enorme e uma abstenção gigante. 

Sendo estas as sétimas eleições directas para o Parlamento Europeu desde a nossa adesão, esse desabafo cíclico é um sintoma estrondoso do fracasso da politica. É pena. Perdemos imenso com isso.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A crise na Ucrânia e a posição europeia.

Independentemente do realismo, da serenidade e do equilíbrio com que devemos acompanhar a situação na Ucrânia, há duas coisas que a política e diplomacia europeias devem marcar com firmeza e absoluta clareza.

Primeiro, mesmo que a Rússia detecte forças "nacionalistas" a movimentarem-se na cena ucraniana, isso não é de todo da sua conta. A Ucrânia é para os ucranianos decidirem; e, não havendo qualquer ameaça de ataque ou invasão à Rússia, não há o menor fundamento para qualquer intervenção ou ingerência russa nos desenvolvimentos políticos internos da Ucrânia.

Segundo, as novas autoridades ucranianas têm de dar mostras de legitimidade democrática, o mais depressa possível. Isto é, têm de agir, com respeito pelas minorias e por adversários, assegurando a estabilização indispensável à realização das anunciadas eleições presidenciais em 25 de Maio próximo. E que estas sejam democráticas e livres, com todas as garantias às diferentes correntes políticas internas.

O abandono do interior

O último que apague a luz
Segundo a imprensa, o ex-Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, tem palavras fortes a propósito do fecho dos tribunais: «Pinto Monteiro comparou o fecho de serviços no interior do país aos “guetos” criados pelo regime nazi.» E mais adiante: «“Quem vive aqui sabe que as terras do interior estão a morrer”, acrescentou, aconselhando os ministros a fazer “uma incursão pela Beira interior para perceberem isso”. “Não há nenhuma poupança que justifique a deslocação de populações, o encerramento de tribunais onde só já há os tribunais”, defendeu.»

São palavras certeiras. Mas não podemos limitá-las apenas à questão, agora, dos tribunais. Nem ficar pelo lamento ou pelo protesto. É um problema que se arrasta desde há duas décadas, pelo menos: a desertificação do interior, diante da passividade e da impotência do Estado.

Quando, há coisa de um ano, ano e meio, a ministra da Justiça, entre outras matérias do seu pelouro, foi debater também esta contingência com os deputados da maioria, pedi a palavra para chamar a atenção para a necessidade imperativa de uma politica do território: o Estado tem que dizer o que quer do território e manter sempre, em coerência, aquela rede estruturante que é indispensável a uma sua ocupação equilibrada, orientando políticas de repovoamento onde necessário. E afirmei que, sem isto, o Estado limita-se a actuar como espectador passivo, agravando o problema em vez de o sanar: fecham os quartéis, fecham os correios, fecham as escolas, fecham as finanças, fecham as urgências, fecham os tribunais... até ao zero.

O problema não é deste ou daquele ministério, mas de todos no seu conjunto - um problema de governo, um problema de política geral, um problema dos partidos.

Na passada sexta-feira, na Assembleia Municipal de Odemira, onde se discutiu o mesmo problema (nalgumas áreas, Odemira vai passar a ter que ir ao tribunal a 100 km de distância!...), fiz uma intervenção com um apelo no mesmo sentido: que, indo além do protesto, os partidos - todos os partidos - saibam fazer subir na sua agenda a questão da política do território. Sem isso... nada feito.

Sei do que falo. Quando fui Presidente do CDS, em 2005/07, procurei puxar por esta agenda. Tinha sensibilidade para um problema que conhecia e que, nessa altura, já era muito sensível. Além da "Aliança do Mundo Rural" (que veio a ter alguma continuidade), organizei o que chamei as "Jornadas do Interior". Fiz três sessões destas: em Bragança, em Castelo Branco e em Portalegre. Esse esforço foi deixado sozinho (alguns sabotaram-no até); e, depois, não teve qualquer continuidade. Procurava alertar para a seriedade da questão da desertificação e para a insuficiência dos instrumentos existentes para lhe fazer face, ao mesmo tempo que congregar a solidariedade transpartidária na faixa longitudinal Bragança/Guarda/Castelo Branco/Portalegre/Margem Esquerda/Alcoutim, bem como de outras regiões que chamo "o interior do interior": por exemplo, Arouca, Oliveira do Hospital, outros concelhos assim. A receptividade local até era grande e crescente. Mas, depois, não houve qualquer continuidade.

Ora. ou se faz isso com continuidade e consistência, ou o plano inclinado da desertificação continua - e cada vez mais íngreme. Com protestos, mas sem que ninguém faça realmente nada.

Tudo pode acabar do modo para que eu advertia a abrir cada uma das sessões das "Jornadas do Interior": um dia, o governo nomeará o último que lá irá apagar a luz. 

Há zonas do país em que já só falta isso. E muitas aldeias onde isso já aconteceu.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Parvoíces


Numa entrevista ao JORNAL DE NEGÓCIOS, na passada quinta-feira, 13 de Fevereiro, Mark Boleat, director de estratégia da "City" de Londres, diz:
«As causas da crise foram já muito bem percebidas. Em muito casos os supervisores falharam por estar a olhar na direcção errada e houve bancos que fizeram coisas parvas.»
Podiam eram contar-nos em pormenor quais foram essas parvoíces e quem as cometeu. Só para ver se a gente também percebia... E se, no meio disto tudo, ainda se fazia alguma justiça. 

Assim como assim, guardar segredo é capaz de ser outra "coisa parva"... Não?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

As grandes propostas do PS para a Justiça

"Justiça para portugueses, deste tamanhinho"

Da Convenção do PS “Novo Rumo” parece que resultaram três ideias para a Justiça:
1. Seguro propõe-se reabrir os Tribunais a encerrar por este governo, que estava previsto encerrar pelo governo Sócrates, mas que parece que vão ser encerrados por este governo;
2. Seguro propõe-se criar tribunais especiais (tags: «capitulações», Turquia, Séc. XIX…) para os investidores estrangeiros que não têm tempo a perder com a Justiça portuguesa;
3. Seguro propõe fundir os Supremos com o Tribunal Constitucional (não explicou para quê, ou pelo menos não vem no site do PS).
Comentando brevemente estas três «proposta», ocorre-me, assim de repente, que a 1ª será pura demagogia bacoca, pior ainda se for para cumprir; que a 2ª é repugnante, mesmo, e que espanta que cabeças tão brilhantes tenham ideias tão imbecis e humilhantes.
Já a 3ª exige um pequeno comentário adicional: devo em primeiro lugar aconselhar a leitura da Constituição da República Portuguesa; depois, dizer que até poderia concordar com a ideia, também acho que o Supremo Tribunal Administrativo não tem razão para existir (nem aliás se esforça por mostrá-la) e que não me parece mal que da fusão nasça um verdadeiro Supremo único (a ideia de haver vários “Supremos” é uma contradictio in sensu”) com competência de controlo constitucional.
Mas! E pronto, é preciso ler a CRP primeiro, artigos 200 e tal para a frente. Lidos, resulta à evidência que as propostas do PS, que poderiam até fazer sentido, implicam uma revisão da CRP. Oh, diaxo! O PS, afinal quer alterar a Sacro-Santa? A Santinha Milagreira? A tal que passam o tempo a acusar o governo Passos de violar, de querer violar e de desconhecer?
São ideias soltas, «alembrou-se-me», «tava no banho e bateu-me a ficha», ou é coisa para pensar a sério depois do «Novo Rumo», quando decidirem para onde rumar?

É que se sim, a pergunta que sobra é a de saber por que raio o PS acha que vai ser possível alterar a CRP depois de ser governo e não acha que isso deva ser feito agora, enquanto vai a tempo e podia ser útil, para mudar o País?
"já para estrangeiros..."

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Senso comum

Mandaram-nos este texto como tendo sido publicado no The Times. É muito bom.


Today  we mourn the passing of a beloved old friend, Common Sense, who has been with us for many years. No one knows for sure how old he was, since his birth records were long ago lost in bureaucratic red tape. He will be remembered as having cultivated such valuable lessons as:

- Knowing when to come in out of the rain;
- Why the early bird gets the worm;
- Life isn't always fair;
- And maybe it was my fault.

Common Sense lived by simple, sound financial policies (don't spend more than you can earn) and reliable strategies (adults, not children, are in charge).
His health began to deteriorate rapidly when well-intentioned but overbearing regulations were set in place. Reports of a 6-year-old boy charged with sexual harassment for kissing a classmate; teens suspended from school for using mouthwash after lunch; and a teacher fired for reprimanding an unruly student, only worsened his condition.

Common Sense lost ground when parents attacked teachers for doing the job that they themselves had failed to do in disciplining their unruly children.
It declined even further when schools were required to get parental consent to administer sun lotion or an aspirin to a student; but could not inform parents when a student became pregnant and wanted to have an abortion.

Common Sense lost the will to live as the churches became businesses; and criminals received better treatment than their victims.

Common Sense took a beating when you couldn't defend yourself from a burglar in your own home and the burglar could sue you for assault.

Common Sense finally gave up the will to live, after a woman failed to realize that a steaming cup of coffee was hot. She spilled a little in her lap, and was promptly awarded a huge settlement.

Common Sense was preceded in death,
  -by his parents, Truth and Trust,
  -by his wife, Discretion,
  -by his daughter, Responsibility,
  -and by his son, Reason.

He is survived by his 5 stepbrothers;
- I Know My Rights
- I Want It Now
- Someone Else Is To Blame
- I'm A Victim
- Pay me for Doing Nothing

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Só para saber...

«Gastos

Empresa do Estado paga 400 carros de luxo

Económico  
23/09/10 
As empresas do grupo Águas de Portugal (AdP) têm 400 carros de luxo para uso de dirigentes e outros altos cargos.
Uma fonte da AdP explicou ao Correio da Manhã que a frota de luxo, em regime de aluguer operacional de veículo (AOV), é para "uso profissional e pessoal", justificando que os funcionários da empresa têm de viajar por todo o país.»
Respostas:
A) - isto é muito mais importante do que os Mirós
B) - A AdP já não tem carros e esta notícia está desactualizada
C) - isto não importa nada, é tudo conversa fiada.
Escolha a resposta certa.

O que é isso da despesa pública?

Passos sobre Mirós: "O dinheiro não dá para tudo"



O primeiro-ministro disse que os países ricos não podem fazer tudo, muito menos os endividados, como Portugal, que têm que fazer escolhas criteriosas.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/passos-sobre-miros-o-dinheiro-nao-da-para-tudo=f855056#ixzz2sw9RzXAr


Pois é: na semana em que se soube que Passos adjudicou o atendimento telefónico do seu pletórico Gabinete, por 25.000,00 € (por ano, por mês?)


E já agora, e sem desprimor por ninguém: quer sua excelência o Primeiríssimo, saber onde pode poupar dinheiro na despesa intermédia?
Ora aqui está:

PARQUE DE VEÍCULOS do Estado

Pagamos 28 ou 29 mil carros

por Carlos Diogo Santos e Rui Marques Simões09 janeiro 2011

Entre 2008 e o primeiro semestre de 2010, terá crescido em 1700 viaturas. Mas há grandes contradições entre os números do Orçamento e os de quem gere o parque.
Vamos que cada uma destas viaturas valha 10.000,00 €; são grosso modo, 300 milhões de euros em carrinhos. Reduzam 10% (não há-de custar assim tanto...) e só no primeiro ano já podiam pagar os Mirós e a seguir vendiam os 60 piorzinhos...
Digo eu, mas devo ser tonto, porque ao fim e ao cabo, os carros são apenas despesa intermédia, gorduras, e isso não é para cortar, certo?

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Olh'ó o Miró a rir-se de nós

«Olh'ó Miró a olhar p'ra nós!»
Cada vez mais penso que quem meteu o PS de cabeça e desta forma no pântano dos quadro de Miró, quis certamente tramar António José Seguro. Se o PS andasse pelas ruas, percebia logo a coisa.

Este caso Miró pode significar para o PS ter perdido de vez as eleições europeias. E, se for assim, é bem feito - sobretudo se for por causa disso.

O caso Miró (e o modo como as vozes PS o abriram e dele falam) simboliza bem tudo o que nos trouxe a este desgraçado buraco de que tanto custa sair: "o dinheiro não custa", "a dívida não se paga" - nada importa, nada pesa. É fartar que a Ordem é rica.

É o fidalgo arruinado, relapso e impenitenente. 

Ao contrário, o primeiro-ministro tem andado bem - e certeiro. Ainda que a coisa devesse ter sido melhor tratada pela Parvalorem e pelo Governo - e rendido talvez mais, com menos polémica. Mas, até nisto, há uma crítica possível ao centro ou à direita (talvez volte a este ponto) e outra crítica que se faz à esquerda. Ora, a oposição à esquerda tem sido um desastre. Mais: tem sido o desastre!