quinta-feira, 12 de março de 2015

No melhor Vaticano, cai a nódoa

São José Vaz ou Saint Joseph Vaz

Com alguns tempos de atraso, aqui deixo sincera manifestação de alegria pela canonização de São José Vaz, o primeiro santo de Ceilão, actual Sri Lanka.

Infelizmente, o meu regozijo pelo reconhecimento público da sua santidade por Sua Santidade não pôde ser tão pleno quanto gostaria: alguém nos serviços de informação da Santa Sé resolveu editar os dados biográficos do novo santo de modo a apagar dela traços de portuguesismo. Lê-se e não se acredita.  [Pode ler também em rodapé a parte mais relevante da biografia vaticana ou conferir o texto integral da nota.]

Goa do século XVII, de onde S. José Vaz era natural, é referida simplesmente como sendo na Índia. Nem o nome dos seus pais, nem o facto de se saber que aprendera Português e Latim numa escola goesa parecem ter tido o efeito de incutir algum rigor histórico nos editores vaticanos, eventualmente incomodados com a lenda negra colonial associada ao nosso país e com a necessidade de dissociar dela a Igreja. É pena. Sobretudo porque, se hoje há católicos no Sri Lanka e em muitos outros pontos da Ásia, tal se deve, em boa medida, à acção missionária corajosa de tantos portugueses e ao empenho da Coroa.

Do Céu, onde se encontra, ao santo decerto parecerá mesquinha esta minha irritação. Que me perdoe.

Lamento que esta nódoa tenha caído no melhor Vaticano. E que o desassombro do Papa Francisco ainda não tenha chegado a quem, sob a sua alçada, parece querer contorcer e acomodar a História ao politicamente correcto vigente para a tornar mais aceitável. É um exercício deplorável.

Valha-nos S. José Vaz!

João VACAS

Excerto da nota biográfica do Vaticano: The Mass and canonisation of Blessed Joseph Vaz began at 8.30 a.m. local time. Sri Lanka's first saint, Vaz was born in Goa, India in 1651, the son of Cristovao Vaz and Maria de Miranda, devout Catholics. His father belonged to a prominent Goud Saraswat Brahmin Naik family from Sancoale, and Joseph was baptised on the eighth day at the parish church of St. John the Baptist. He studied Portuguese and Latin, and entered the Oratory of St. Philip Neri. Since Ceylon, present day Sri Lanka, was under the rule of Dutch Calvinists and therefore had no Catholic priests, he moved there secretly, in the guise of a mendicant. He eventually came to the attention of the Dutch authorities, who imprisoned him. He was released in 1869 (sic) (gralha: é 1669) and obtained permission to preach the Gospel throughout the Buddhist Kingdom of Kandy. He also continued to do so secretly in the area under Dutch occupation until his death in 1711. 

Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo - desvalorizado e esquecido


Atocha, Madrid - 11 de Março de 2004

Era mesmo verdade. Como, ontem, aqui receei, as instituições europeias revelam uma tendência preocupante para se esquecerem da memória das vítimas do terrorismo, um flagelo terrível. Quer o terrorismo, quer a falta de memória.

EL PAÍS, 12 de Março de 2004

Ontem, assinalou-se pela décima vez o Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo, no 11º aniversário dos atentados de Atocha, em Madrid. A data solene e memorial foi estabelecida em 2004; e começou a celebra-se em 2005.

Atocha, Madrid - 11 de Março de 2004

Ora, passando em revista o dia de ontem, constata-se que só a Comissão Europeia assinalou - e creio que modestamente, pois nada ecoou pela imprensa - a data memorial. O que a Comissão fez está resumido aqui, nesta página de entrada e de informação, incluindo remissões para os discursos do comissário Dimitris Avramopoulos e da comissária Věra Jourová, num evento organizado para o efeito, em Bruxelas, bem como para vídeos com depoimentos de vítimas do terrorismo e a prévia mensagem geral da Comissão, que já ontem publicáramos. Está de parabéns, em qualquer caso, a Comissão. Pela minha parte, obrigado.

A ilustração da página especial da Comissão Europeia não deixa, porém, de ser significativa e sintomática: é ilustrada por uma fotografia dos líderes políticos que encabeçaram a grande manifestação em Paris, no passado 11 de Janeiro deste ano, a seguir aos atentados contra o Charlie Hebdo e o supermercado judeu. 

É como quem diz - "Foi gira a festa, pá." - e pensa que, em consequência, já não é preciso fazer mais nada de muito relevante quando chega, propriamente dito, o Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo. De 11 de Janeiro para o Conselho Europeu extraordinário de 12 de Fevereiro, e de 12 de Fevereiro para 11 de Março, a União Europeia, a pouco e pouco, foi-se esquecendo de lembrar.

Ontem, num debate na Assembleia da República, sobre questões europeias não deixei de abrir a minha intervenção, abordando o tema. E lamentando a fragilização do dia e da memória. Pode ver aqui o vídeo:


É que, na verdade, nem sequer o pomposo Coordenador Contra o Terrorismo, no âmbito do Conselho, o Sr. Gilles de Kerchove, fez ou disse o que quer que seja, como podemos verificar ao consultar de novo a sua página. Deve ter estado muito ocupado no dia 11 de Março, mas certamente a tratar de outros assuntos que não de terrorismo... Um homem atarefado.

O mesmo concluímos ao rever o que se passou ontem no Parlamento Europeu, que está reunido em plenário em Estrasburgo. Em quase 15 horas de debates, não houve, aparentemente, um só minuto para evocar e assinalar o dia. Extraordinário! Revelador, sobretudo.

Enquanto estive no Parlamento Europeu, várias vezes me ocupei do assunto e lutei contra a derrapagem que descafeína a data solene. Sei que, pelo menos outro deputado europeu, o Diogo Feio, fez esforços e alertas similares, no mandato seguinte. Ainda agora, fazendo uma busca, encontrei registo de uma sua oportuna pergunta parlamentar em 2011 e da resposta que recebeu. Mas, como o Diogo Feio também saiu, parece que já ninguém está lá que se interesse.

Vamo-nos lembrar das vítimas apenas quando for o próximo atentado. E até aí... pouco. Está sempre a acontecer. 

Esta Europa sem memória, nem linha, nem coração é a Europa que não presta.

Monumento em Madrid

Pormenor do memorial junto à estação de Atocha, Madrid

A anexação da Áustria pela Alemanha em Março de 1938


Num tempo em que a História e a Memória, insistentemente, não passam dos acontecimentos mais mediáticos e mediatizados da semana anterior, talvez fosse chegada a época de querermos todos aprender com o passado, não muito longínquo, mas também não excessivamente recente, para não ter que estar sempre a repetir os mesmos erros.

A unificação da Europa não tem sido fácil, e tendencialmente parece estar a ser cada vez mais difícil. Sempre havendo que haver diferenças inerentes a cada País que faça – faz? - parte da chamada União Europeia, para “isto” não se continuar a desfazer a cada dia que passa, haveria que não passarmos o tempo, a alegremente sempre dizer mal uns dos outros, e agora já não é Norte contra o Sul, é o próprio Sul conta parte do mesmo. 

A Europa sempre teve dificuldade em se entender. E foi sempre um Continente de Guerras, de partilhas à força e na última Guerra tivemos o louco, o fanático austríaco que dominou, primeiro em eleições livres, e depois pelo Nazismo a Alemanha a caminho do anexar a Europa à força das armas.

Não conseguiu felizmente. Pena hoje não estarmos a conseguir voluntária e pacificamente, fazê-lo. Ficaremos a perder, todos, até a Alemanha, para já, mais ou menos democrática.

Bem, mas para recordar a História e a Memória e em mais um mês de Março, temos que ir forçosamente a Adolph Hitler que nasceu na Áustria, foi posto de lá para fora por menos correctas posições e combateu na I Guerra Mundial como cabo já na Alemanha. E entre as duas Guerras – a II por si originada – em 1933 tornou-se chanceler da Alemanha, em eleições livres, e depois quis uma raça pura, excluindo todos que não tivessem uma certa altura – não a tendo o próprio – religião, cor de olhos, e tudo o que se possa imaginar para uma superior raça pura.

E a 12 de Março de 1938 deu-se o Anschluss que foi a “anexação” da Áustria pela Alemanha. Convirá também não esquecer que na Áustria já havia muitos Nazis que colaboraram e regozijaram-se com este “acto “ do seu ex-compatriota.

Os que não concordaram, e claro judeus, ciganos e mais “diferençados” –  não raça pura – se não foram conduzidos para campos de concentração, para o Holocausto, conseguiram fugir. Não tendo que para aqui puxar casos familiares, e se calhar nem o devendo fazer, faço-o pela Memória e pela História de muitos – não minha que ainda não a esqueci -, dado minha mãe, minha avó terem para cá fugido e meu avô para Londres.

E se não quisermos lembrar estes acontecimentos e evidentemente, sem ter que fazer festas ou festinhas, mas lembrando unicamente, escrevendo, fazendo passar às gerações mais novas, “isto” esquece ou parece uma “coisa” que aconteceu na época dos dinossauros, e a Guerra acabou faz agora 70 anos e não foi assim tão distante, dado que foi aqui na “nossa” Europa. E se quisermos esquecer tudo, mesmo havendo quem ainda reste directa ou indirectamente desse tempo, vamos, talvez reviver ao vivo e a doer novamente, tudo. 

E não será só a Ucrânia em Guerra, mas mais Europa na mesma situação dramática. E continuemos, jovialmente, em vez de pensar no Anschluss, a ter estes nossos políticos e estas nossas políticas destes últimos tempos que, de tão maus e más, só conseguirão que venha outra guerra, para a Europa se desfazer de vez.

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
12 de Março de 2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

Os políticos falam de tudo menos de política


Torna-se espantoso e em simultâneo desastroso, quando temos todos os nossos políticos “ainda em actividade”, seja na Governação seja noutros Postos, seja nas Oposições, que fazem tudo menos política. 

“Lá fora “ também é assim, pensarão alguns. Ao que se pode responder que não é, mas mesmo que fosse, não precisamos de seguir o pior que possa vir de “lá”, mas não é! 

Lançam temas que nada mais são que criticarem-se uns aos outros e “arranjarem” temas distractivos, para não se notar que de facto não só não sabem, como não querem fazer política. Sendo esta a única forma de se manterem à tona! Assim cada vez será pior.

Parece que todos entram para a política para fazerem a sua carreira profissional e pessoal, e nada mais que isso. Nada mais. Um vazio de valores e de ideias.

Será que assim vamos continuar? É o mais certo, se nestes últimos 20 anos os exemplos que “vêm de cima” são os que nunca deveriam vir de sítio algum, logo, como será possível “isto” melhorar?

Será que já batemos no fundo? Será que já desconstruímos todos os valores e referências, ou ainda teremos que descer mais, mais, estragar mais, e daqui a uns tempos do nada começar a subir, unicamente, por mais não ser possível baixar?

Não temos ninguém no activo, em lado algum que tenha cuidado com o que nos diz, que o faça sem ser para falar e nada dizer, e com um mínimo de respeito por nós, País, População. A única razão da sua existência, pensava-se que seria! 

E atirar sempre a culpa para os outros perante evidências pouco meritosas do próprio, não será o mais adequado. E iremos assim continuar?

Como se quererá que os jovens tenham futuro com os exemplos constantes menos positivos dos menos jovens? Como se quererá que os velhos - que só por o serem, deveriam merecer o respeito de todos, e não o inverso como está a acontecer - ainda queiram estar vivos se são tão, tão mal considerados e tratados?

Como se quer que os de “baixo” construam algo, quando os de “cima” tudo desconstroem?

Vamos conseguir mudar? Vamos conseguir melhorar? Quem souber responda, por favor!!!

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
10 de Março de 2015

O sistema político e a estagnação económica

Na série de divulgação do Manifesto POR UMA DEMOCRACIA DE QUALIDADE, republicamos este artigo de Henrique Neto, ontem saído no jornal i.
As políticas de investimento público foram dedicadas pelos diferentes governos à construção e obras públicas, com a nota negativa de copiarem modelos europeus com 50 anos. 

O sistema político e a estagnação económica
A estagnação da economia portuguesa, que dura há mais de uma década, tem a sua principal origem nos vários vícios do nosso sistema político e na má governação do país. Ou seja, a ausência de crescimento da economia tem mais a ver com os erros dos governos que com as empresas portuguesas, nomeadamente dos sectores transaccionáveis, que, apesar de todos os obstáculos, constrangimentos e custos de contexto, têm sobrevivido com trabalho, coragem e uma forte determinação de vencer a crise e de aumentar as exportações nacionais.

As razões para esta tese são muitas e variadas. Desde logo, a inexistência de uma visão estratégica nacional que una os empresários portugueses ao redor de objectivos nacionais claros e de políticas estáveis, compreensíveis e coerentes com um modelo económico consensualizado. Ora acontece que ao longo do último quarto de século, nomeadamente depois da adesão à União Europeia e ao euro, Portugal desperdiçou a estratégia que escolheu ao longo de séculos de país euro-atlântico, para se dedicar apenas a ser o bom aluno europeu, o que conduziu ao abandono da agricultura, à destruição da capacidade pesqueira e da marinha mercante e à desvalorização da indústria a favor das obras públicas e dos serviços.

O objectivo de vários governos, de facilitar o retorno e o reforço dos grandes grupos empresariais de raiz nacional, objectivo presente nas privatizações das principais empresas nacionais, foi um total fracasso, mas permitiu o privilégio das empresas dos sectores não transaccionáveis, através da criação de preços monopolistas a serem pagas pelos cidadãos e pelos sectores de bens transaccionáveis à custa das exportações, rendas que ainda hoje se mantêm, por exemplo, na energia.

As políticas de investimento público foram dedicadas pelos diferentes governos à construção e obras públicas, com a nota negativa de copiarem modelos europeus com 50 anos, tendo sido promovida uma indústria da construção mastodôntica e insustentável, para mais com recurso a mão-de-obra imigrante de baixo custo, sem os recursos financeiros necessários e sem terem sido feitas quaisquer análises de custo-benefício para os investimentos feitos, comprometendo no processo as futuras gerações e o equilíbrio das contas do Estado. Por exemplo, a desastrada opção pelo transporte rodoviário transformou Portugal numa ilha ferroviária sem ligações internacionais e desperdiçou as vantagens competitivas da nossa localização no centro do mundo ocidental, que poderiam servir o objectivo estratégico de criar uma logística de baixo custo, capaz de atrair o investimento estrangeiro de empresas industriais integradoras, além de facilitar as exportações.

As políticas de habitação, incentivando à compra de casa própria, contribuíram para um insustentável endividamento das famílias portuguesas e do próprio sistema financeiro, criando um campo favorável à corrupção autárquica por força da urbanização dos terrenos agrícolas na periferia das principais cidades, à custa do abandono dos centros históricos e da mobilidade do trabalho. Acresce que o resultante endividamento do Estado e das famílias retirou recursos financeiros aos sectores produtivos da economia, reduziu a capacidade de investimento privado e tornou Portugal menos interessante para o investimento externo, até porque embarcámos alegremente na euforia do alargamento da União Europeia.

Como se tudo isto não bastasse, os governos incentivaram o investimento nacional no exterior, principalmente no Brasil, sem cuidar se esse investimento criaria fluxos comerciais valorizadores da nossa economia, ou se eram meros investimentos financeiros sem qualquer retorno para a economia nacional, como acontece, por exemplo, com os investimentos da EDP. Finalmente, a crise financeira resultante destes e de outros erros grosseiros dos governos, levou ao aumento da fiscalidade sobre as empresas e os cidadãos para níveis incomportáveis e sem reduzir a burocracia de um Estado omnipresente e facilitador de negócios pouco claros de alguns grupos económicos ligados ao poder político. Os casos do BPN, do BPP, do GES/BES, da PT e de outros que o futuro nos reserva são a demonstração clara da enorme destruição de riqueza levada a cabo sem qualquer controlo, em benefício de alguns e à custa da maioria dos portugueses.

Em resumo, por esta descrição, em grande parte minimalista, da destruição de valor económico e social criada pela acção e pela omissão dos poderes político e partidário que governam Portugal, é fácil compreender o esforço gigantesco que foi preciso para que sectores inteiros da economia portuguesa tenham sobrevivido – agricultura, agro-alimentar, pescas, metalomecânica, calçado, têxtil, confecção, automóvel, cerâmica, vidro, moldes, turismo, etc. – apesar de todos os erros cometidos pelos governos e, para mais, com uma moeda forte e uma economia europeia centrada em sectores  dominados pelos países mais ricos.

Talvez um dia se faça a história deste último quarto de século e se avalie com rigor e independência o papel destrutivo que o sistema político teve na actual crise e na estagnação da nossa economia. Destruição que, a propósito, tem todas as condições para continuar, recordando, a título de exemplo, a opção do actual governo de construir um novo porto no Barreiro, ou as políticas verdes de enriquecimento de sectores energéticos conhecidos; início de mais uma fase de consumo indiscriminado dos fundos comunitários pelo Estado.
HENRIQUE NETO
Empresário
NOTA: artigo publicado no jornal i.

Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo - em vias de esquecimento?

21 coptas egípcios assassinados

Hoje, assinala-se o Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo. Foi instituído em 2004, com referência aos terríveis atentados de Atocha, em Madrid - uma proposta do Parlamento Europeu, adoptada e proclamada pelo Conselho.

A sua celebração tem vindo a ser progressivamente "descafeinada", como se fosse matéria sem importância. 

Já está disponível, em língua inglesa, a mensagem da Comissão Europeia relativa à importante data, emitida conjuntamente pelo 1º Vice-presidente Timmermans, pela Alta Representante e Vice-presidente Mogherini e pelos Comissários Avramopoulos Jourová. É, em rigor, a 10ª celebração desta data solene, no 11º aniversário dos atentados de Madrid.

Porém, no portal do Conselho, nada consta, mesmo na página do Coordenador Contra o Terrorismo, Gilles de Kerchove. Nem uma linha, nem uma menção. E, buscando no arquivo, apenas se encontram as evocações em 2013 e 2012. Nada já em 2014, aparentemente. E nada de novo hoje, também. Ter-se-á esquecido?

E, na agenda do dia de hoje do Parlamento Europeu, que está reunido em plenário em Estrasburgo, também nada consta sobre a data. Veremos no fim do dia. 

Habitualmente, o Presidente do Parlamento Europeu emitia, pelo menos, uma declaração solene. Porém, buscando no arquivo, a última menção que se encontra é referente à evocação do Dia, em 2012... É de lamentar. Mais ainda, se recordarmos que a instituição deste Dia Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo foi inicialmente proposta e aprovada pelo Parlamento Europeu, por uma trágica coincidência em 11 de Março de 2004.

Neste ano de 2015, que abriu com os crimes no Charlie Hebdo e no supermercado judeu de Paris, pelas atrocidades do Boko Haram na África Central e pela degola de 21 cristãos coptas pelo Estado Islâmico, é deveras extraordinário. E tristemente sintomático.

Os terroristas nunca se esquecem. A política europeia parece que sim.

Alastra o terror do Boko Haram

Os atentados de Paris


O actual PR não tem que escolher o futuro, a não ser como eleitor.


No prefácio do nono Roteiros, o ainda actual PR, lá vem com uns recados, que dificilmente são entendíveis ou necessários, hoje.

E quando ainda temos um PR em exercício que conseguiu esvaziar a Presidência da Republica, o mais que pode e soube, o que precisamos do próximo é que seja em tudo diferente do actual.

Assim, recados de perfil para o próximo é tudo o que se dispensa.

Sendo que o ainda PR não conseguiu de forma alguma deixar uma figura de Estadista no tempo que tão necessária era, pelo que se deve dispensar de fazer profecias futuras ou dar conselhos.

Talvez unicamente deva tentar ser um pouco diferente, um pouco melhor neste ano que ainda vai ser PR, para ainda ajudar o País.

Se muitas razões - e parece da facto haverem - deveria ter tido, para criticar o anterior PM, deveria tê-lo feito quando o mesmo ainda estava em exercício, em funções, e nunca em mais um prefácios dos seus Roteiros, quando o PM já era o actual, que se calhar no último Roteiros trará elogios que não merece.

Isto só o podia ter sido feito no futuro em memórias, logo, já não como PR.

E o perfil que lança para um futuro PR no que o actual não terá influência, a não ser como mero eleitor, será escusado, se não totalmente desnecessário.

A não ser que venha a fazer, depois de passados uns anos, uma terceira tentativa, no caso seria quarta, para cumprir um terceiro mandato, o que já falhou - e ainda bem - com um ex-PR que nunca o deveria ter feito, tal como hoje não deve esse mesmo, pronunciar-se sobre o que faz, e como o faz!

Há tempo para tudo em devido tempo, e nesta fase do nosso actual PR, e dado não estarmos em Monarquia não se deve meter no futuro e deve tentar dar recados a si próprio, para ser diferente.

Deveria ter um tempo concreto para falar aos Portugueses, como PR e não como comentador como vem a fazer em todas as suas últimas intervenções. Não falar nas esquinas, a entrar e sair num qualquer evento, ou ainda por quando está no Estrangeiro, cá para dentro, não tendo cá do mesmo tema falado, ou pior ainda pelo facebook. E nas datas oficiais de discurso solene, já nada é tido em atenção.

O tempo do actual PR, por muito que o próprio não queira acaba-se quando acabar este segundo mandato. E nada do que se seguir, terá a ver consigo, espera-se.

Pelo que não se entende qual o interesse nos costumeiros prefácios dos seus Roteiros, estar a falar do passado - quando o não fez em devido tempo - ou estar a dar recados para o futuro.

Pede-se uma diferente, para melhor, presença como ainda PR, não ser mais comentador, e se bem entender sê-lo-á depois.

Deve, agora, falar nos sítios adequados, e não ter que se pronunciar no que não ajuda o País, como,  a sua própria Reforma, o banco que caiu, defesa do actual PM, em temas não de politica, e mais.

E não esvaziar ainda mais do que já vem a fazer a Presidência da República, o País agradece, e por certo o próximo PR.

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
9 de Março de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015

Tudo muito informatizado, mas menos bem resolvido


Estamos num tempo em que supostamente tudo pode ser tratado por telemóvel, internet, sites das mais diversas instituições, mas de repente, quando notamos que algo não está a funcionar como foi acordado, começa o Cabo das Tormentas. Se, por acaso, tudo corre bem, até não se fica mal. Mas por norma como é o inverso, entramos na trapalhada.

Começamos por ir aos sites devidos, e dificilmente encontramos contactos de email adequados. Quanto conseguimos encontrar, graças a qualquer “coisa” menos usual, um email de ligação, enviamos o nosso pedido/reclamação, mas não recebemos qualquer resposta, mesmo esperando uma semana, 7 dias.  

E vamos repetindo o email, e repetindo e nada, então optamos pela chamada para “aquele” número, que tudo nos resolve. E aí vem música, e uma voz que nos vai informando, se quer “isto” carregue no 1, se aquilo no 2 e normalmente vai até ao 5. Lá carregamos no que pensamos ser mais próximo do que necessitamos, e, vem mais música a dizer que ainda não vamos ser atendidos, e ficámos assim 5 minutos. 

Até que achamos estar a ser atendidos, quando nos aparece outra mensagem a pedir para digitarmos o nosso número, que nós pensávamos já estar mais que adquirido pelos automatismos de quem estávamos a tentar falar. Bem, lá deixámos no nosso número de contacto, e nunca mais somos contactados. Até que optamos por nos deslocar a um “loja” a um ponto físico de apoio. 

E aí, depois de tirarmos a correspondente senha, esperámos uma boa meia-hora, somos chamados mas ainda não é bem esse serviço, dão-nos outra senha e depois de mais meia-hora de espera, lá conseguimos ser finalmente atendidos, colocar o nosso problema e a pessoa com quem estamos a falar, diz-nos termos razão – ficámos todos contentes, alguém nos deu razão - mas nada lhe ser possível resolver. E dizem-nos, na hora, para escrevermos numa folha de reclamação o que achamos não ter corrido bem, que depois, haveremos de ter uma resposta.

Bem, vamos para casa sem o problema resolvido, mas com a ideia de que irá sê-lo desta vez, e guardámos a cópia que nos facultaram amavelmente, da reclamação que fizemos. E espanto dos espanto, quando em casa vamos ao nosso email, temos uma resposta ao que por esta via tínhamos enviado, faz duas semanas, a informar que estão a tentar resolver o assunto e logo que possível entrarão connosco em contacto. 

Das duas, uma: ou de facto o ser humano ainda é indispensável e não vamos, felizmente, ser substituídos em tudo e em nada por máquinas e maquinetas, ou todos estes modernismos que nos desumanizam, estão mal programados.

Esperemos que haja mais estima por todos, e todos a si mesmos se respeitem, respeitando-se e respeitando-nos, e que se recomece a olhar para as Pessoas como Pessoas que de facto somos e queremos humanamente continuar a “ser e estar”, não como algo descartável e menos necessário, uma vez que sem Pessoas a Terra não tem razão de existir.

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
7 de Março de 2015

Iberian Stream - reflexões a propósito da Cimeira de Madrid

A interligação das redes de gás e eletricidade são uma prioridade europeia

Pela sua importância, actualidade e qualidade, remetemos, com a devida vénia, para três excelentes posts recentes do blogue "O António Maria". Informação e pensamento estratégicos da melhor qualidade. Está lá tudo do principal que devemos conhecer e sobre que reflectir:

- em 4 de Março: Iberian stream

- em 6 de Março: Iberian stream (2)

- em 6 de Março: Iberian stream (3)

Do segundo post, destacamos este ponto, em particular, em razão de ter outras implicações gerais da maior importância e premência:
«O principal obstáculo que agora resta remover no caminho da reestruturação suave e em curso da nossa dívida pública advém precisamente das rendas excessivas e dos contratos leoninos abusivos das PPP. Só denunciando e renegociando as PPP e as rendas excessivas, só parando as inúteis barragens engendradas pelos piratas do anterior governo, será possível impedir que o avolumar do serviço da dívida pública portuguesa destrua o país, colocando-o no caminho da Grécia a muito curto prazo.»

segunda-feira, 9 de março de 2015

Desafios prementes do sistema de saúde


MAR PORTUGUÊS

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
tem de passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa, in Mensagem)


Há questões sobre as quais é obrigatório reflectir:

- A crescente escalada de custos com a saúde é uma realidade mundial, e a portuguesa?

- A inabilidade do modelo actual de financiamento para dar respostas às necessidades existentes.

- A incapacidade que têm os intervenientes no sector para implementar modelos de gestão que permitam eliminar os desperdícios de recursos que caracterizam o sector.

- A organização e o planeamento da actividade hospitalar exige decisões céleres do executivo.

Há, além disso, problemas estruturais já identificados:

- Reduzido grau de cooperação entre os diferentes níveis dos cuidados de saúde.

- Incapacidade dos cuidados primários em suster a procura das urgências hospitalares por parte dos cidadãos.

- Cuidados hospitalares dimensionados para dar resposta a um perfil assistencial que não é da sua competência.

- Número de hospitais superior às reais necessidades do País.

- Fraca capacidade de resposta no tratamento das doenças crónicas, que representam 70% a 80% dos gastos em saúde.

- Apesar de todos os esforços, a resposta dos cuidados continuados é insuficiente.

O maior desafio que se coloca às despesas sociais resume-se objectivamente ao evidente envelhecimento da população, que provoca uma inversão contínua da pirâmide geográfica, com a consequência de a riqueza a ser criada pelas gerações vindouras não vir a ser suficiente para suprir as necessidades das gerações actuais.

Constatamos isto mesmo ao analisar dados relativos a 1960 e 2008:

A população residente em 1960 era de 8,9 milhões e em 2008 era de 10,6 milhões; em 1960, o número médio de filhos por mulher era de 3,2 e em 2008 de 1,4; em 1960 os jovens com menos de 15 anos eram de 2,6 milhões e as pessoas com mais de 65 anos aproximadamente 709000, ao passo que em 2008 os jovens eram 1,6 milhões e as pessoas com mais de 65 anos 1,9 milhões.

O envelhecimento da população provocará um aumento dos gastos públicos de entre 1% e 2% do PIB nos próximos anos, segundo dados da Comissão Europeia divulgados em 2007.

Se nada for feito no curto e médio prazo, a insustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos moldes que conhecemos agravar-se-à seguramente, dados os constrangimentos presentes no espaço orçamental do Estado.`

É obrigatório ver o problema como um todo, mas as soluções resultam da soma de cada uma das partes.

Por conseguinte, parece não ter constituído nenhuma grande valia para este governo, a expectativa de reforma na saúde provocada pela " TROIKA". A reforma induzia a ideia de que teria havido um projecto politico subjacente à centralidade politica e à governamentalização da administração, os factos mostram não ter existido um programa com sucesso. A "TROIKA" como terramoto não destruiu o sistema tradicional no sector da saúde, basta ouvir os relatos dos doentes e dos profissionais.