sexta-feira, 20 de março de 2015

Estreiteza de vistas


Ela é bonita, inteligente, assertiva e visivelmente bem preparada. A jovem deputada Mariana Mortágua destaca-se no meio dos deputados pela sua inteligência e preparação, disso não há dúvidas. Ontem, foi de longe a deputada que melhor interrogou Salgado e o deixou sem resposta, quando lhe perguntou se sabia qual era o passivo da ESSI em tal data e em tal data. Salgado, o ex-dono da ESSI não sabia (e eram só quatro mil e tal milhões de euros…). Mariana sabia. Bravo!

Só que, no meio daquilo tudo, tinha de vir a pergunta que revela a falta de mundo «desta» gente. Mariana andou a ver tudo, cada operação do GES, cada movimento financeiro, e deparou-se com um hotel em Miami, na Espírito Santo Plaza. O hotel chama-se Conrad, mas fica situado na Espirito Santo Plaza. Daí, Mariana terá concluído que o hotel era dos ES, e perguntou: «o hotel ainda é seu?». Salgado ficou meio apalermado: «Meu? Não, o hotel é Conrad, acho que do grupo Hilton». Mariana insistia: «mas está na internet associado ao grupo ES». Um momento patético.

Não tira que a jovem deputada tinha razão no essencial, que estava espectacularmente bem preparada, que, olhando para ela, Salgado talvez tenha pensado que se, em vez de se ter rodeado do bando de imbecis desmemoriados e irresponsáveis que tinha como homens de mão, tivesse contratado umas tantas Marianas, talvez o GES não tivesse caído no abismo em que caiu.

Mas fica a sensação que, no fim do dia (ou de madrugada…), a esquerda portuguesa não perdeu nada da sua estreiteza de vistas, põe tudo no mesmo plano, hotéis em Miami e colapso do BES, e não sabe o que é um Conrad. Esta falta de mundo, sobretudo de quem estudou em Londres, mostra tudo sobre o pequeno mundo em que esta gente se move, mesmo que aceda à internet e viaje por toda a parte.

Hotel Conrad, Espirito Santo Plaza, Miami

Acesso a informação controlada, não pode estar tudo na rua


Convenhamos que, nem todos em determinados lugares podem ter acesso a todos os dados que existem na Instituições onde trabalham.

Sabemos, muitos por experiência própria, que, nas empresas privada, não é possível todos os Empregados acederem a todos os “dados” que existem na Empresa onde trabalham.

Como é evidente hierarquicamente vai havendo elementos que vão sendo disponíveis, mas outros, não. E muitos estão protegidos – e bem - por passwords, por forma a serem acedidos por quem deve, e por quem tem utilidade, no caso para a empresa, em o fazer.

E convenhamos que “isto” deve ser seguido em toda e qualquer instituição, seja pública, seja privada. E não parece lógico e muito menos aconselhável que quaisquer “dados” que façam parte da nossa vida e estejam e muito bem, “por conta “ do Estado para fins específicos, como pagamento devido e atempado dos nossos impostos, cartas de condução, multas, até registos de dados de saúde sejam consultados por todos,  e divulgados a uns medias que andam – nem todos, mas demasiados, veja-se todos, ou quase,  a noticiar ao mesmo tempo a mesma coisa!  – ávidos de sangue.

Como é evidente, seja no público, seja no privado, quanto mais alto se está na cadeia hierarquia mais responsável, honesto, correcto, e responsabilizado se deve ser, nem sempre está a acontecer, como todos sabemos. E quanto mais “importante” – seja lá o que “isto possa ser” - mais devem todos os seus elementos, mesmo alguns privados estar acessíveis a quem os deve “ter e controlar”. Mas “isto” não quer dizer que devam estar na “praça pública ou na comunicação social”.

Talvez esteja chegado o tempo de quanto mais no topo as pessoas estiveram, e ainda para mais em lugares para os quais são designados em eleições democráticas, menos “rabos-de-palha” devem ter. E se os tiverem, e forem descobertos devem ser severamente julgados pelos Tribunais, pela Justiça. E não pelos média, ou por um qualquer sindicato ou ordem profissional.

E temos que perceber, que quem está em “cima tem que dar o exemplo para baixo” e que tantas, mas tantas vezes não acontece, e ainda para agravar não são responsabilizados, mas é esta “parte “  tem que ser positivamente alterada e não passar a serem os dados sigilosos conhecidos no meio da rua, a incentivar “julgamentos populares e mediatizados”!

Não se imagina uma empresa privada que funcione bem a deixar que os seus elementos de tácticas e estratégias futuras, sejam consultáveis por uma empresa concorrente. Como não se percebe, se quem nada tema ver com os dados de um contribuinte, por que raio os vai consultar. E muita informação que damos a “guardar ao Estado” possa estar a ser consultada por quem o não tenha, nem deva ter que fazer.

Temos ou devemos ter regras –  algo que tantos se arrepiam só com a palavra, para valer tudo até saber o que não devem –, temos que ter princípios e temos que nos saber respeitar, para os outros connosco fazerem o mesmo. Se isto for piorando, como parece estar acontecer a cada dia que passa, ficaremos definitivamente sem conserto. Já esteve mais longe.

Mas temos que, para ficar positivamente diferentes, que encontrar políticos e políticas ambos de muito mais qualidade. E até gestores no privado.

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
19 de Março de 2015

EUA versus Estado Islâmico


Enquanto a Europa a cada dia que passa menos existe em todas as vertentes até na militar, os EUA não querem perder, de ânimo leve, para a China o 1º lugar mundial, em tudo.

Sendo que, já deu para entender que Obama ao nada ter a perder nesta fase do seu segundo mandato, vai tentado impor as suas ideias, que vão desde o fecho de Guantánamo até ao um efectivo combate ao ISIS (Estado Islâmico), mas tal implica que trave “guerras internas” com os Republicamos, para ver se consegue prosseguir os seus intentos.

Obama, ainda bem, não é Bush, seria trágico, nem é Republicano, pelo que não repetirá uma invasão despropositada, como a que os EUA fizeram ao Iraque, e a população americana já não alinha.

Mas, para além de ter que não desprezar a “guerra interna” com os Republicanos, tem que conseguir ajudar a Síria, sem perder o Irão a quem se está a aproximar progressivamente.

Com esta Europa pantanosa, meia viva, meia morta, terá também que pensar no segundo Estado Islâmico, que está latente na Líbia, um Pais com guerras tribais – que era controlado pela tirania pelo ditador Kadhafi, e está à deriva, aqui abaixo –, armado até aos dentes, onde matar é algo que a alguns dá gozo.

E Obama, querendo fazer o que assume de melhor como Presidente para os EUA, e evidentemente para o mundo, para poder continuar a ter espaço, se este se destrói e fica pantanosamente na mão dos Jihadistas – que nada têm a ver com o Islão e o Alcorão, só se servem dos nomes para matar, desfazer, e até estragar arte, memórias de séculos – perde tudo.

Estando, agora, já quase fora de tempo, chegou o último momento de Obama justificar se mereceu o Nobel da Paz que lhe foi atribuído antes de tempo.

Tudo demasiado complicado, quando em nome do EI uma criança francesa de 11 anos mata a tiro um israelo-árabe de 19, quando Putin quer ser um Czar do século XXI, quando a Europa se desgoverna a cada minuto que passa, quando as eleições em Israel deram um empate/impasse técnico.

Não pode ser o Papa Francisco a tentar tudo resolver, não vai conseguir apesar de ser muito bom, mesmo para nós não crentes….face à incapacidade e incompetência de todos os outros que teriam obrigação de o fazer…


Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
18 de Março de 2015

Nunca há responsáveis, nem responsabilizados? BES/GES


No início, a Comissão da AR para indagar o caso complicadíssimo do BES/ GES, pareceria ter alguma “força” para encaminhar o tema a ser resolvido, essencialmente a bem do País e dos Portugueses.

“Passadas todas estas audições”, em que tem sobressaído pela boa preparação a deputada do Bloco, Mariana Mortágua - que se espera não lhe suba à cabeça os elogios merecidos que tem vindo a receber, ou não seja internamente corrida por ser capaz - nada se conclui, a não ser que as “coisas” continuam a acontecer neste nosso Pobre País, e nunca ninguém de lado algum é responsável, e muito menos responsabilizado.

Claro que a AR não é o Tribunal. Mas depois deste triste espectáculo com a maioria das pessoas que têm ido a esta Comissão, ficamos todos apalermados, uma vez que cada um nunca teve culpa, foi sempre do outro e do outro. E tudo fica- ainda - mais baralhado, mais complicado e nada se vai resolver, e a única certeza é que não havendo responsáveis, nem responsabilizados lá vamos nós “certinhos” contribuintes, pagar tudo o que outros fizeram, mas não fizeram, nem estavam lá.

Mas existe um o prejuízo causado ao País e aos Portugueses, a investidores, a Pessoas que ficaram desempregadas, e, nem se sabe por quem, quando, como, aonde.

Será que vale continuarem a haver estas Comissões, mais que não seja pela energia eléctrica, águas de “beber”, refeições que se gastam. Claro que dá muitos noticiários e horas de televisões, mas chegará?

E também dá espaço a tantos comentadores que nestes últimos 4 a 5 anos aparecem de todos os lados, a terem tempo e espaço para comentar o que está comentado até à exaustão, mas sem resultados práticos para o País.

Supostamente, só supostamente – um suponhamos - haverá um culpado que era o mais alto responsável pelo BES/GES, mas depois já não é, vai para o que se lhe segue, que também não é, depois mistura-se a PT que também ninguém viu, estava, nada, de seguida pode ser que seja o Regulador, mas afinal também já não é, depois suspeita-se que o Governo e os Governantes sabiam, deviam ter feito mais, nada, afinal era com o Regulador.

E vamos andar nisto, em círculos, sempre em redor do que aconteceu, mas afinal não terá mesmo acontecido? Ou foi um sonho mau, mais um pesadelo ao País!

E nem um responsável, nem um responsabilizado, e tudo continua como dantes e vamos nós de facto contribuintes pagar “tudo isto”!

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
18 de Março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Conselho Nacional de desEducação

Pela sua importância e actualidade, incluímos aqui, com autorização do autor, Guilherme Valente, um artigo publicado na última edição do semanário EXPRESSO.


CONSELHO NACIONAL DE DESEDUCAÇÃO
 
Entre as várias coisas boas que este Ministro da Educação foi capaz de fazer, a melhor foram os exames. E a prova, como se previa, viu-se logo: passados um ou dois anos sobre a medida, as médias subiram em todas as escolas. Em todas, mas mais… nas públicas! Nas "más", e isso é que é importante, para dar oportunidade e esperança a todas as crianças, criando as condições para diminuir o fosso da desigualdade social. (E subiram menos nas privadas por nelas haver já mecanismos de exigência de trabalho e de ser outro, regra geral, o empenho dos pais.)

Saudada com júbilo pelos que realmente se preocupam com a qualidade do ensino e o destino dos alunos, essa subida nos resultados enervou e abalou, como se viu, os defensores do facilismo, da ideologia que serviu magnificamente aqueles que quiseram e querem inviabilizar a educação em Portugal.

E a reacção não tardou. O CNE, agora com a cobertura útil do presidente que passou a ter - as escolhas e delegações deste Ministro são, regra geral, um desastre - vem agora propor, criminosamente, o fim das reprovações, isto é, o fim dos exames a sério. Para isso invocou três"razões", todas agoniantes: 

Uma, a de que as reprovações não resolvem o problema dos alunos que reprovam - e a transição sem se saber resolve? E foi por isso mesmo que desde sempre defendemos... a necessidade de apoio reforçado aos alunos reprovados. Solução que vêm apresentar agora como se fosse uma descoberta sua.

Outra razão, a de que reprovação suscita nas crianças perturbações emocionais, é hilariante, na linha de concepções e de práticas idiotas que têm conduzido à infantilização dos alunos, gerando jovens e adultos sem autonomia, personalidades frágeis incapazes de enfrentar as mínimas contrariedades que a vida a toda a gente inevitavelmente coloca.

E, última razão evocada, a de que as reprovações custam caro ao Estado. Razão hipócrita esta, por ser apresentada pelos que sempre tão assanhadamente atacaram o Ministro por "sacrificar a qualidade do ensino à poupança de dinheiro". Poupar-se-ia 900 milhões, dizem-me que terá dito o meu Amigo Eduardo Marçal Grilo – então porque não poupam tudo? Fechem-se as escolas, acabe-se com a Educação!
A proposta do CNE junta cegueira ideológica e ressentimento a uma aparente...burrice. E porquê? Por que os exames, a reprovação (a que chamam beatamente retenção), não se destinam apenas, nem sobretudo, a proporcionar aos alunos sem qualificações para transitar de ano a possibilidade de recuperarem. O objectivo e benefício dos exames a sério são sistémicos.
 
Isto é, promover o estudo pelos alunos todos, a qualidade do ensino (e o estudo...) pelos professores, a preocupação dos pais relativamente ao trabalho escolar dos filhos, e também o empenho e competência do aparelho do Ministério. O objectivo dos exames é, em suma, pôr toda a gente a trabalhar, a estudar, a ensinar e a educar realmente, informando e responsabilizando todos, professores, directores, escolas, ministério e pais. 

Percebe-se, assim, porque precisamos em Portugal de um regime de exames bem diferente daquele de que necessitam sociedades como a finlandesa ou a japonesa, por exemplo.

Acabar com os exames, como agora vem defender o CNE, determinará, rápida e inelutavelmente, que se passe a estudar menos e a ensinar pior. Voltará a descer, portanto, o nível de formação dos alunos, a crescer o abandono escolar e a indisciplina, a irresponsabilidade de estudantes e professores (e a frustração dos melhores deles), a indiferença dos pais. E os mais prejudicados seriam, serão…, como sempre foram, os mais desfavorecidos, assim se contribuindo para agravar ainda mais as desigualdades sociais. E entrariam ainda menos alunos no ensino superior, a não ser que também nesse grau de ensino viesse a verificar-se uma descida ainda mais escandalosa de exigência. Facto, infelizmente, bem provável, aliás, pois não começaram já alguns Politécnicos a decidir o fim de alguns exames – com excepção do exemplo que se esperava dos de Lisboa, Porto e Coimbra? Tudo para agravar a miséria da realidade política, cultural, económica, financeira, o pântano em que o País tem vivido.
Guilherme VALENTE

quarta-feira, 18 de março de 2015

CDS promete... que não morre de vergonha!


Tirado do «Económico online»



É difícil ser-se mais divertido. Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça!
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar
Esperemos é que não seja a caminho do mar, mas a caminho da oposição.

Como é que é possível que ao fim de quatro anos a descoisar o País, haja na maioria quem tenha o descaramento de dizer que vai lutar por baixar o IVA que ergueu contra a restauração e o turismo? E já agora, a vida dos portugueses em geral...

Não se morrerá de vergonha para os lados do «Caldas»?

«Precisávamos de um Churchill!»
«Pois... Precisamos é de aumentar os impostos sobre os charutos...»

É no que dão os «Senhores Normais», os «cidadãos imperfeitos».

A mudança necessária: da oratória vã à acção eficaz

Na série de divulgação do Manifesto POR UMA DEMOCRACIA DE QUALIDADE, republicamos este artigo de António Pinho Cardão, hoje saído no jornal i.

Como o sistema já provou não ser capaz de se auto-reformar, há que forçar alterações radicais através da pressão e da força de uma renovada opinião pública.


A mudança necessária: da oratória vã à acção eficaz 
“Ao grande orador”, é a inscrição na estátua de José Estêvão, no jardim lateral do Palácio de S. Bento. Não se refere que foi político, deputado, revolucionário, estadista, mas orador. Uma ilustração perfeita do que se passa na nossa classe política, mormente na que habita o palácio ao lado. Um grupo que maioritariamente se esgota no falar, com a suprema agravante de pensar que do seu falar resulta qualquer acção a bem do povo que sempre invoca. Uma primeira medida simbólica de renovação seria retirar para bem longe do parlamento a estátua de José Estêvão, simbolizando que o parlamento não precisa de oratória vã, mas de gente capaz de bem interpretar o sentido do serviço público.

Mas a oratória não se esgota nas tribunas do parlamento e estende-se com sofreguidão às antenas da comunicação social. Em santa aliança, a classe política e os media criaram a realidade de que político que não aparece não existe. Membros do governo, deputados influentes, notáveis tornaram-se simples serventuários das agendas mediáticas, participando activamente num tipo de informação de encher chouriços, com todos a reagir a todos, numa conversa em redondo e num círculo sem sentido, princípio ou fim.

Claro que este supremo desígnio de existir contende com o acto de governar ou de fazer oposição eficaz, pelo ruído que provoca e pelas entropias que cria. E pelo tempo que ocupa, sobrepondo-se ao estudo dos dossiês, à reflexão, ao diálogo com as estruturas da administração pública ou com os intérpretes dos diferentes interesses em jogo. Neste processo esquecem-se as verdadeiras necessidades e aspirações do povo, trocadas pela imperiosa necessidade de existir, servindo os media.  

O pessoal político tem vindo a reproduzir-se dentro dos mesmos círculos fechados dos directórios centrais e regionais partidários. Não há recrutamento fora do círculo, pelo que rareia o sangue novo exterior. E, como nos seres humanos, também nas instituições que assim procedem se multiplicam as doenças da consanguinidade. Os sintomas estão à vista, como a dificuldade de obter consensos em pontos essenciais, consequência natural da agressividade que os políticos exibem em público, exemplo acabado de um desbragamento e má educação bem opostos a um viver democrático.

Como o sistema já mostrou não ser capaz de se auto-reformar, há que forçar alterações radicais através da pressão e da força de uma renovada opinião pública. Entre elas, a reforma do sistema eleitoral, pela introdução do voto preferencial nas listas plurinominais, ou através do acesso ao sufrágio de cidadãos independentes interessados no serviço público ou possibilitando a introdução de círculos uninominais, dando assim algum poder aos eleitores na escolha dos deputados, em vez de estes serem exclusivamente escolhidos pelas direcções partidárias.

De forma a fazer surgir gente com vida para além da política ou dos media, que se afirme pela substância e não precise da imagem como prova de existência.

Gente com espírito construtivo e dedicação ao serviço público, que não procure o cisco no olho do vizinho, ou o lançamento da primeira pedra para desviar as atenções de si própria.

Gente honrada, disposta a trabalhar pelo bem comum, e sem que a todo o momento possa ser achincalhada pelo adversário político.

Gente que tenha um sentido colectivo, em vez de prática de tribo.

Gente que, além dos diferentes pontos de vista, lidere e una os portugueses numa democracia de qualidade.

Algo só possível com a mudança do pessoal político e esta só possível com a alteração do sistema eleitoral.
António PINHO CARDÃO
Economista e gestor - Subscritor do Manifesto por Uma Democracia de Qualidade

Ler Livros: tão necessário, tão em desuso


A leitura, essencialmente de Livros e de qualidade, de princípio a fim, está desgraçadamente a deixar de acontecer. Muitas pessoas, hoje, entre os 18 e os 45 anos, “gabam-se” de nunca ter lido um único livro e assumem que não acham ter-lhes feito qualquer falta.

E, se este grupo etário vasto nunca gloriosamente leu um Livro, completo, é mais que evidente que o mesmo venha a acontecer a seus filhos, e assim continuamente.

A voluntária não leitura de livros, que também se estende à não leitura de jornais, de preferência, evidentemente de qualidade e não sensacionalistas, vem sendo substituída pelo que “passa” em redes sociais, na Internet – vulgo net – e em televisões.

Como é evidente as opções, as escolhas, nos meios atrás referidos ficam sempre tremendamente limitadas, uma vez que são “impostas” por outros, ficando muito mais limitadas, que a opção de visitar uma Livraria, mais ou menos classifica, e ver o que lá é possível escolher. E, assim, tantas livrarias estão a morrer.

Assume-se que a leitura, completa, de um livro não é importante, não é necessária. E o vocabulário diminui a cada dia que passa, a conjugação do verbo com o sujeito não existe e com o suposto Acordo Ortográfico que nem o virá a ser – felizmente – vale cada um escrever como bem entender, mesmo que já nem português possa ser.

Porém, se quisermos não ser antiquados mas minimamente realistas – por certo cada vez menos e cada vez mais em vias de extinção – saberemos que o Livro é uma fonte de forte influência na “habilidade de saber ler”, na captura de conhecimentos e sabedorias, bem como e não de somenos importância, num aumento do vocabulário, que deixa de ser a “chapa batida” usada, por todos, e não poucas vezes carregada de todo o tipo de erros.

Por certo, hoje, é cada vez mais conseguível e útil ler livros por meios digitais, substituindo o papel. Mas, para que tal possa efectivamente acontecer, compete-nos, a todos e cada um, conseguir ainda fomentar a leitura completa, de princípio a fim, de Livros, que deveriam ter que voltar a fazer parte integrante do nosso quotidiano, de forma voluntária, normal, corriqueira, e não, necessariamente imposta.

Assim, a começar na família, os hábitos de leitura deveriam urgentemente ter que regressar, claro que mesmo em Livro Digital, se for a escolha livre, e até em leituras conjuntas que poderia – deveria – substituir-se às televisões e outras situações que nos são impostas, de fora, bastando ligar botões, tudo muito fixe e modernaço, e cada um em conjunto se isolar, como se não estivessem mais pessoas, no mesmo espaço. Tão vulgar, hoje.

Nas escolas o objectivo deveria ter que ser o mesmo, ler como uma forma activa de querer melhor aprender e melhor ser. Com telemóveis e todas as modernidades idênticas, desligadas.

Talvez, não seja fácil, mas se nos conseguirmos e quisermos ajudar, empenhando-nos no Livro, voltará este a cumprir sua tarefa educativa em todas as idades, em papel ou não, e não se ficará como cada vez mais se está, imaturo, e a ler tudo pela rama!

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
18 de Março de 2015

domingo, 15 de março de 2015

O exemplo a não vir de cima

Viatura da PSP em transgressão em Carlos Alberto (Porto)

O sentimento, demasiado generalizado – face ao que nos vem acontecendo nas últimas duas décadas – quanto aos nossos políticos, é que não cumprem o que prometem, e não fazem, quando chegados a determinados “postos/lugares”, o que nos obrigam a fazer.

E, sem sequer aqui é de referir um único caso concreto, uma vez que todos são ampla e mediaticamente divulgados, uns aparecem e desaparecem – emergem e submergem –, outros nunca entenderemos o que lhes acontece e, em simultâneo, estão constantemente a surgir novos. E todos ficando sempre, nebulosamente, por esclarecer.

Mas são tantos e todos começam não se compreende como, e acabam sem nada atingirmos, e esperam-se novos.
Porém, para além destes, outros mais banais, mas não menos graves, estão a tornar-se um exemplo – “exemplar” – para os nossos comportamentos do dia-a-dia. Situações muito negativas, vindas de quem nunca as deveria praticar.

Uma "autoridade" descontraída...

Desde injustificada e desnecessariamente vermos viaturas “nossas” – pagas pelos nossos impostos – entregues a pessoas que nos deveriam bem representar e melhor apoiar, a circular em locais interditos, com o maior à-vontade, e ainda para mais ajudar, com toda a razão se nos permitirmos achar, que não a têm.
Outros, até com viaturas, também, pertença do Estado ou até das Autarquias – devidamente caracterizadas – estacionadas e bem arrumadas em cima de passadeiras.

O motorista à espera de Sua Excelência o Chefe

E o mais grave é que tudo é por “eles “ feito com toda a razão, e nós, se lhes apontarmos educadamente o dedo, somos quem não tem razão.

Se o mesmo for feito por um anónimo cidadão, é penalizado – e justamente, dado não estar correcto -, mas, se for a “tal” viatura nossa entregue ao “importante” ou nossa “caracterizada”, pode fazer tudo, nada acontece.

Isto num tempo em que os cidadãos andam – andamos – descontentes, não só com o estado a que chegou o País, não havendo, hoje, quem o defenda, estando unicamente em si interessado, e não se perspectivando alguém que o venha a fazer.

E entra-se num total desvirtuamento de regras e normas – parece que hoje é proibido usar estes termos – num despeito pelos outros, num vale-tudo, até chegarmos ao “arrancar olhos”. Já esteve mais longe!
Quando tudo bater fundo, mas mesmo fundo – está quase, mas ainda vai descer mais – o retorno aos respeito pelo outro, ao espaço do outro, a algum civismo entre cidadãos, demorará décadas a ser recuperado. Mas isto, aqui escrito, é narrativa e lamechice de velho ultrapassado! 

E vamos tudo desconstruindo com o “exemplo exemplar” dos de cima.

Já nem se pode ralhar nas criancinhas, “tadinhas”, para não as traumatizar! 

E quando entrarmos no vazio, tudo pode acontecer, normalmente é ocupado por quem não deve!, o vazio causa terror e …..
Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
15 de Março de 2015

sábado, 14 de março de 2015

Basta dizer não?



Devido ao envelhecimento da população, está a surgir em Portugal e na Europa uma justificada atribulação nos Serviços de Saúde.

As pessoas de mais idade são mais susceptíveis à doença, necessitando de cuidados de proximidade mais imediatos. Estas pessoas formam a generalidade dos “bedblockers”, designação dos doentes que estão internados no hospital e que impedem, por motivos de carência sócio-familiar, a rotatividade do internamento nas camas que ocupam, quando deveriam ir para casa.

Estima-se que mais de 10% das camas hospitalares estão hoje bloqueadas, pela total impossibilidade dos doentes serem acompanhados no domicilio.

Não tem nada a ver com o mundo da medicina; os profissionais de saúde dão a conhecer que o trabalho que realizam está longe de ser eficaz. Com os inúmeros problemas e insuficiências, o sistema público está à beira da implosão. Todos concordam que são necessárias mudanças: em poucas palavras, diminuir custos e aumentar a qualidade dos serviços prestados.

Facilmente se compreende que o sistema de proximidade, que deve permitir acesso imediato, só pode acontecer através da fixação dos médicos e de enfermeiros, aproveitando as estruturas disponíveis, desenvolvendo métodos de organização e gestão financeira. O desenvolvimento do conhecimento e das tecnologias, permite-nos recorrer, nos dias de hoje, a técnicas menos invasivas e muitos dos actos médicos passaram a desenrolar-se num tempo muito mais reduzido. É a aposta no ambulatório e fundamentalmente na prevenção primária. Então, deixará de fazer sentido o investimento em grandes estruturas fixas.

A mobilidade dos profissionais de saúde não pode consistir em medidas avulsas com incentivos a premiar o eleitoralismo; tudo deve ser feito na dose certa e no tempo exacto, tal como a propósito da administração dos antibióticos. Sistemas de flexibilidade nos recursos humanos devem ser feitos ao ritmo das necessidades da população e da evolução demográfica, em lugar de pertencer à instituição A ou B,  já que o profissional está ao serviço do país e de uma determinada região. Por outro lado, as alterações que o efeito sistémico nos vai obrigar a fazer tornam a realidade de todo o sistema de saúde diferente, obrigando todas as estruturas intervenientes no sector da saúde a ter uma comunicação regular e sistematizada, não permitindo duplicação de tarefas, que criam ineficiência na prestação de cuidados .

Os recursos devem ser adequados, quer na qualidade, quer na grandeza expressa em números. É neste contexto que deve existir uma alteração no modelo de governação clínica, com uma rede de cuidados feitos no domicilio, utilizando as tecnologias actualmente disponíveis.

A reforma que deve ser feita no Serviço Nacional de Saúde tem a obrigação de se comprometer com a isenção para as pessoas com menos recursos, com a liberdade de mudar de hospital, com o envolvimento dos profissionais na gestão, com o estabelecimento de esquemas de incentivos e penalizações, com o financiamento dos hospitais conforme os objectivos de qualidade e as exigências de carácter cientifico e técnico.

Defender a saúde é preservar a universalidade e a equidade. Na saúde, os problemas põem-se com especial acuidade, os seus efeitos são determinantes para o País, do mesmo modo que os seus resultados influenciam a satisfação ou as frustrações do colectivo.

Nenhum Governo tem o direito de tratar as instituições com suspeição! Às instituições públicas, e sociais devem ser reconhecidas as iniciativas de consciência pública que têm praticado, em beneficio da preservação do sistema de saúde. Em simultâneo, nenhuma instituição está isenta de responsabilidade no desenvolvimento da reforma que deve ser feita no Serviço Nacional de Saúde. 

É fácil dizer que o principal problema da saúde em Portugal é o financiamento, mas, na realidade, o mais importante é o planeamento e a organização. Na realidade, os cuidados de saúde devem ser pagos pela riqueza produzida, mas na saúde é desejável a neutralidade política e o sentido deontológico.

A maioria dos doentes em Portugal pode receber tratamento num hospital da sua escolha, entre públicos e privados? Na realidade, não pode escolher o hospital, nem o médico, nem o centro de saúde.

Certamente que a liberdade de escolha obriga a um maior esforço dos melhores hospitais, em que os menos eficientes teriam muito provavelmente de encerrar as suas portas, mas cria a cultura da responsabilidade de um e de outro (oferta e procura).

O sector da saúde na Alemanha emprega mais de 4 milhões de pessoas - entre estes, 360.000 médicos e dentistas, 500.000 auxiliares de consultório, 50.000 farmacêuticos e mais de um milhão de enfermeiros e auxiliares de enfermagem, nos 2.200 hospitais do País e com uma receita que ultrapassa os 230 mil milhões de euros/ano. A prestação social gasta 140 mil milhões de euros por ano para garantir a saúde dos associados com seguro obrigatório, que garante o atendimento de cuidados primários, mas não é eficiente. Há mais de duas décadas que tentam reformar o sistema de saúde e, até agora, os problemas persistem. No entanto, o envelhecimento da população e o progresso da medicina vão implicar mudanças profundas que não admitem delongas. O grande impasse é na decisão de se implementarem planos médicos particulares para todos.

O National Health Service (NHS) está à beira do colapso. Agentes da saúde, desde os médicos aos doentes, admitem publicamente a necessidade de mudarem os conceitos e a organização do sistema público de saúde britânico. Há três meses, um verdadeiro caos aconteceu nas urgências, mais de 20.000 doentes em macas, tiveram tempos de espera superiores a 12 horas até serem atendidos. Aumentam a cada dia as correntes de opinião de que o sistema de saúde não pode continuar a ser gerido como tem sido.

Em Espanha, o objectivo é cortar custos e apesar de o acesso à saúde ser um direito que está consagrado no artº 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a universalidade dos serviços de saúde respeitada por muitas décadas, é questionada.

Um provérbio Chinês diz:

Dinheiro perdido, nada perdido;
Saúde perdida, muito perdido;
Carácter perdido, tudo perdido.

Podemos perder dinheiro. Mas a saúde e o carácter não!


João Varandas Fernandes