domingo, 22 de março de 2015

O meu irmão


Fez na passada sexta-feira, 20 de Março, um ano que o meu irmão morreu. Tinha 61 anos, a idade que eu tenho agora. Um cancro levou-o. De repente, assim no espaço de um ano. Já falei disso, há um ano.

Na missa de anteontem, em São Domingos de Rana – a sua Rua Sésamo –, falei do luto, de como as palavras vão lavando a tristeza e o vazio e deixando apenas o rasto que inspira e a presença. Sempre a presença - vaga, mas real. É uma coisa pascal, quadra que vivemos nesta altura: damo-nos conta de que é quando vemos que não é, sentimos que está quando reparamos que já não está. Foi assim com as mulheres cristãs que primeiro viram o túmulo vazio; e é assim com todos nós, quanto aos nossos que lembramos partidos.

Falei também dos seus filhos, treze irmãos: o Miguel, a Catarina, a Filipa, o Rodrigo, o João, a Madalena, a Carmo, o Marcos, o David, o Bernardo, o Samuel, o Lourenço e a Teresa. Foi este currículo que fez dele o fundador, o grande animador e o primeiro presidente da APFN – Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, uma obra e um legado extraordinários. E também o líder europeu da ELFAC – European Large Families Confederation.

Diversamente dos meus sobrinhos, eu não tenho mais nenhum irmão. Éramos só o Fernando e eu. Não tinha escolha, nem ele. Não tínhamos “irmãos p’rá troca”, mas apenas a nós os dois. Talvez isso fizesse crescer entre nós uma cumplicidade fortíssima. Mesmo nos tempos de silêncio e de distância.

Em criança, zangámo-nos muitas vezes e bulhámos outras tantas. A espécie humana não é imune à luta animal pelo território; também isso temos de aprender a ocupar e a partilhar, a descobrir o que é reservado e o que é comum. Mas tínhamos, e desenvolvemos, uma cumplicidade fortíssima. E, talvez porque, nos conflitos, não tínhamos mais nenhum outro a quem recorrer, nem para pedir consolo, ou apoio, ou abrigo, nem para buscar uma qualquer arbitragem, soubemos – e aprendemos – que era entre nós os dois, mesmo, que tínhamos de reencontrar a paz e os seus termos. Só nós dois podíamos resolver os problemas que nós dois havíamos gerado ou entre nós dois haviam surgido. Nunca ficou nenhum por resolver.

Éramos diferentes. Por isso, complementares – nunca me lembro de rivais, nem eu dele, nem ele meu. Éramos uma parelha bem-disposta. É esse espírito e essa memória que tenho presente quando me empenho na instituição do Dia dos Irmãos, um projecto APFN e ELFAC. (Já agora, assine também a petição nacional e as internacionais.)

Ele era o mais velho e, desde muito miúdo, manifestamente engenheiro. Muitas engenharias fizemos lá em casa!

Uma vez, teríamos entre 11 e 13 anos – estaríamos, portanto, em 1965 ou por aí – resolvemos modernizar a casa e o conforto do nosso quarto. O meu pai, que era melómano, havia comprado, uns anos antes, um pick-up (assim se dizia) Blaupunkt, que era o seu orgulho: um móvel rádio e gira-discos, estereofónico, o último grito das maravilhas da técnica alemã. Tinha um pequeno inconveniente o aparelho: só dava para ouvir música na sala-de-estar. 

Lembrámo-nos, por isso, de instalar uma extensão para o nosso quarto. Comprámos longos metros de fio eléctrico, duas pequenas colunas de som em segunda mão e pregos e braçadeiras em abundância. E com mestre engenheiro à frente e eu de operário aprendiz, esventrámos a parte traseira do pick-up Blaupunkt do meu pai e ligámos as suas colunas estereofónicas ao fio eléctrico, que meticulosamente estendemos, em duplicado, até ao nosso quarto, bordejando os rodapés e os alizares (i.e., as ombreiras) das portas de passagem. Chegada a ligação ao nosso quarto, foi ligar as extremidades dos dois fios às novas colunas adquiridas – e aí estava a estereofonia a soar em pleno no nosso quarto. Uma revolução tecnológica nos anos ’60!

Como eram os pick up Blaupunkt do final dos anos '50
O que mais nos surpreendeu, ao fim do dia, é que o nosso pai não se zangou muito, ao chegar a casa e a minha mãe, que tinha estado fora o dia todo enquanto os dois operários trabalhavam, lhe mostrar a novidade. Ralhou um pouco, mas não demasiado. Sobretudo não mandou desmontar o inovador engenho – ganhámos! E até nos pareceu ouvir risota entre a mãe e o pai, fechados no quarto deles. Sempre nos ficou a ideia de que o meu pai ficou dividido entre a lesão traseira infligida ao seu prodigioso pick-up Blaupunkt e a admiração pelo engenho inventivo das suas adoráveis criancinhas. 

A qualidade do trabalho era, aliás, magnífica: o som funcionava quer na sala (o que o meu pai logo quis verificar), quer no quarto; e o fio estendido pela casa fora estava cuidadosamente pregado a rodapés e alisares, sem que a coisa chocasse minimamente. Um trabalho de categoria!

Uns dias depois, face à tolerância paterna, resolvemos introduzir mais um melhoramento – isto é, decidiu o meu irmão e eu fui atrás de aprendiz. Acrescentámos mais um circuito de fio, por aquela extensão toda, que interrompia o circuito de alimentação eléctrica do rádio. Assim, manejando no nosso quarto um pequeno interruptor de candeeiro, que adquirimos para o efeito, podíamos ligar e desligar o rádio à distância, sem termos que nos levantar. É certo que não dava para manejar o gira-discos, nem para mudar de estação de rádio; mas tínhamos música em directo a partir da nossa estação preferida, sempre que queríamos. Um telecomando da década de ’60, novo prodígio tecnológico!

Tudo o que sei de bricolage – e muita coisa aprendi e faço – devo-o a essa relação com o meu irmão. Imaginação e inventiva, em que éramos ambos bons, conjugadas com engenharia, que era o seu ofício inato. Fizemos grandes exercícios de química (para grandes sustos da nossa mãe), fizemos fotografia, muitas e variadas construções, tornámo-nos reparadores domésticos para os mais diversos usos (o que reforçava as amnistias paternas), fizemos filmes, que montámos e sonorizámos.

Depois, ele foi para engenheiro – e oficial de Marinha. E eu para outra vida.

Foi o primeiro do seu curso na Escola Naval. E, em Boston, no M.I.T. - Massachusetts Institute of Technology, de novo o primeiro do seu curso como engenheiro construtor naval. Deve-se unicamente à crise do país e ao declínio prolongado em que mergulharam as questões do mar, que não pudesse ter dado mais contributo à sua área de especialidade e excepcional vocação. Foi um grande oficial de Marinha, um estimado professor da Escola Naval, um quadro reputado do Alfeite e um engenheiro de altíssimas competências e aptidões.

Nunca desistiu do mar, que era bem mais de metade dele próprio. E os baldões da vida acabaram por o levar de volta a esse seu domínio, destacando-se como o grande motor do Fórum Empresarial para a Economia do Mar, uma convicção profunda, mais do que um emprego, já nesta última década em que Portugal parece querer voltar a reencontrar o mar que nos bordeja e nos preenche.

Mas foi na família que se tornou socialmente mais conhecido. A partir da sua família numerosa fez um promontório de luta pela família e pelos valores familiares, tornando-os mais vivos e mais sonoros, num tempo e num espaço em que precisamos tanto deles. E de porta-vozes. Foi um soldado incansável dessa causa. Uma causa que fundou e que continua. Foi aí que o Presidente da República escolheu, agora, distingui-lo a título póstumo. Obrigado.

O meu irmão foi sempre um apaixonado, irradiando optimismo, vontade e confiança.

Em tudo o que fez, o Fernando pôs a sua alma. Por isso, nos é tão fácil reencontrá-la em tanto que deixou feito. E, assim, seguir.


José Ribeiro e Castro
22 de Março de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

Como já lá vão 4 meses...


Volto à minha «ritournelle»: então, mas afinal de que é que o «Zé» é acusado?

De receber dinheiro de um amigo, o que não é crime, ou de actos corruptos? Afinal é de quê? Porque é que o homem está preso?

Essa dos cabritos e das cabras, só pode de facto vir dos Desembargadores: em vez de avaliarem factos - que pelos vistos não há no processo - põem-se com moralismos de pacotilha bacoca.

A tese é a de que como o homem não tem recursos conhecidos, e vivia em Paris, não debaixo de uma ponte mas num apratamento no XVIème, comia em restaurantes e não nas «poubelles», recebia umas massas do amigo, o mesmo comprou à Mãe dele uns apartamentos e a Mãe deu-lhe o dinheiro, e mais assim uns esquemas, 'tás a ver pá,?, há-de ser muito corrupto.

Pensava eu que quando alguém é acusado de corrupção, conviria que lhe assacassem actos corruptos em concreto, mas isso, afinal, em Portugal não existe.

Se há submarinos, não há corrupção; se há Freeport, não há corrupção; se há Macau, pode até haver corruptores, mas não há corrupção; mas se há um amigo a emprestar dinheiro, então é porque há corrupção!

Quer dizer: quando lhes passa o elefante debaixo do nariz, os «Sinhores», só vêem um poneizinho encantador. Quando lhes passa uma galinha, vêem um dinossauro...

E batatas!

Estreiteza de vistas


Ela é bonita, inteligente, assertiva e visivelmente bem preparada. A jovem deputada Mariana Mortágua destaca-se no meio dos deputados pela sua inteligência e preparação, disso não há dúvidas. Ontem, foi de longe a deputada que melhor interrogou Salgado e o deixou sem resposta, quando lhe perguntou se sabia qual era o passivo da ESSI em tal data e em tal data. Salgado, o ex-dono da ESSI não sabia (e eram só quatro mil e tal milhões de euros…). Mariana sabia. Bravo!

Só que, no meio daquilo tudo, tinha de vir a pergunta que revela a falta de mundo «desta» gente. Mariana andou a ver tudo, cada operação do GES, cada movimento financeiro, e deparou-se com um hotel em Miami, na Espírito Santo Plaza. O hotel chama-se Conrad, mas fica situado na Espirito Santo Plaza. Daí, Mariana terá concluído que o hotel era dos ES, e perguntou: «o hotel ainda é seu?». Salgado ficou meio apalermado: «Meu? Não, o hotel é Conrad, acho que do grupo Hilton». Mariana insistia: «mas está na internet associado ao grupo ES». Um momento patético.

Não tira que a jovem deputada tinha razão no essencial, que estava espectacularmente bem preparada, que, olhando para ela, Salgado talvez tenha pensado que se, em vez de se ter rodeado do bando de imbecis desmemoriados e irresponsáveis que tinha como homens de mão, tivesse contratado umas tantas Marianas, talvez o GES não tivesse caído no abismo em que caiu.

Mas fica a sensação que, no fim do dia (ou de madrugada…), a esquerda portuguesa não perdeu nada da sua estreiteza de vistas, põe tudo no mesmo plano, hotéis em Miami e colapso do BES, e não sabe o que é um Conrad. Esta falta de mundo, sobretudo de quem estudou em Londres, mostra tudo sobre o pequeno mundo em que esta gente se move, mesmo que aceda à internet e viaje por toda a parte.

Hotel Conrad, Espirito Santo Plaza, Miami

Acesso a informação controlada, não pode estar tudo na rua


Convenhamos que, nem todos em determinados lugares podem ter acesso a todos os dados que existem na Instituições onde trabalham.

Sabemos, muitos por experiência própria, que, nas empresas privada, não é possível todos os Empregados acederem a todos os “dados” que existem na Empresa onde trabalham.

Como é evidente hierarquicamente vai havendo elementos que vão sendo disponíveis, mas outros, não. E muitos estão protegidos – e bem - por passwords, por forma a serem acedidos por quem deve, e por quem tem utilidade, no caso para a empresa, em o fazer.

E convenhamos que “isto” deve ser seguido em toda e qualquer instituição, seja pública, seja privada. E não parece lógico e muito menos aconselhável que quaisquer “dados” que façam parte da nossa vida e estejam e muito bem, “por conta “ do Estado para fins específicos, como pagamento devido e atempado dos nossos impostos, cartas de condução, multas, até registos de dados de saúde sejam consultados por todos,  e divulgados a uns medias que andam – nem todos, mas demasiados, veja-se todos, ou quase,  a noticiar ao mesmo tempo a mesma coisa!  – ávidos de sangue.

Como é evidente, seja no público, seja no privado, quanto mais alto se está na cadeia hierarquia mais responsável, honesto, correcto, e responsabilizado se deve ser, nem sempre está a acontecer, como todos sabemos. E quanto mais “importante” – seja lá o que “isto possa ser” - mais devem todos os seus elementos, mesmo alguns privados estar acessíveis a quem os deve “ter e controlar”. Mas “isto” não quer dizer que devam estar na “praça pública ou na comunicação social”.

Talvez esteja chegado o tempo de quanto mais no topo as pessoas estiveram, e ainda para mais em lugares para os quais são designados em eleições democráticas, menos “rabos-de-palha” devem ter. E se os tiverem, e forem descobertos devem ser severamente julgados pelos Tribunais, pela Justiça. E não pelos média, ou por um qualquer sindicato ou ordem profissional.

E temos que perceber, que quem está em “cima tem que dar o exemplo para baixo” e que tantas, mas tantas vezes não acontece, e ainda para agravar não são responsabilizados, mas é esta “parte “  tem que ser positivamente alterada e não passar a serem os dados sigilosos conhecidos no meio da rua, a incentivar “julgamentos populares e mediatizados”!

Não se imagina uma empresa privada que funcione bem a deixar que os seus elementos de tácticas e estratégias futuras, sejam consultáveis por uma empresa concorrente. Como não se percebe, se quem nada tema ver com os dados de um contribuinte, por que raio os vai consultar. E muita informação que damos a “guardar ao Estado” possa estar a ser consultada por quem o não tenha, nem deva ter que fazer.

Temos ou devemos ter regras –  algo que tantos se arrepiam só com a palavra, para valer tudo até saber o que não devem –, temos que ter princípios e temos que nos saber respeitar, para os outros connosco fazerem o mesmo. Se isto for piorando, como parece estar acontecer a cada dia que passa, ficaremos definitivamente sem conserto. Já esteve mais longe.

Mas temos que, para ficar positivamente diferentes, que encontrar políticos e políticas ambos de muito mais qualidade. E até gestores no privado.

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
19 de Março de 2015

EUA versus Estado Islâmico


Enquanto a Europa a cada dia que passa menos existe em todas as vertentes até na militar, os EUA não querem perder, de ânimo leve, para a China o 1º lugar mundial, em tudo.

Sendo que, já deu para entender que Obama ao nada ter a perder nesta fase do seu segundo mandato, vai tentado impor as suas ideias, que vão desde o fecho de Guantánamo até ao um efectivo combate ao ISIS (Estado Islâmico), mas tal implica que trave “guerras internas” com os Republicamos, para ver se consegue prosseguir os seus intentos.

Obama, ainda bem, não é Bush, seria trágico, nem é Republicano, pelo que não repetirá uma invasão despropositada, como a que os EUA fizeram ao Iraque, e a população americana já não alinha.

Mas, para além de ter que não desprezar a “guerra interna” com os Republicanos, tem que conseguir ajudar a Síria, sem perder o Irão a quem se está a aproximar progressivamente.

Com esta Europa pantanosa, meia viva, meia morta, terá também que pensar no segundo Estado Islâmico, que está latente na Líbia, um Pais com guerras tribais – que era controlado pela tirania pelo ditador Kadhafi, e está à deriva, aqui abaixo –, armado até aos dentes, onde matar é algo que a alguns dá gozo.

E Obama, querendo fazer o que assume de melhor como Presidente para os EUA, e evidentemente para o mundo, para poder continuar a ter espaço, se este se destrói e fica pantanosamente na mão dos Jihadistas – que nada têm a ver com o Islão e o Alcorão, só se servem dos nomes para matar, desfazer, e até estragar arte, memórias de séculos – perde tudo.

Estando, agora, já quase fora de tempo, chegou o último momento de Obama justificar se mereceu o Nobel da Paz que lhe foi atribuído antes de tempo.

Tudo demasiado complicado, quando em nome do EI uma criança francesa de 11 anos mata a tiro um israelo-árabe de 19, quando Putin quer ser um Czar do século XXI, quando a Europa se desgoverna a cada minuto que passa, quando as eleições em Israel deram um empate/impasse técnico.

Não pode ser o Papa Francisco a tentar tudo resolver, não vai conseguir apesar de ser muito bom, mesmo para nós não crentes….face à incapacidade e incompetência de todos os outros que teriam obrigação de o fazer…


Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
18 de Março de 2015

Nunca há responsáveis, nem responsabilizados? BES/GES


No início, a Comissão da AR para indagar o caso complicadíssimo do BES/ GES, pareceria ter alguma “força” para encaminhar o tema a ser resolvido, essencialmente a bem do País e dos Portugueses.

“Passadas todas estas audições”, em que tem sobressaído pela boa preparação a deputada do Bloco, Mariana Mortágua - que se espera não lhe suba à cabeça os elogios merecidos que tem vindo a receber, ou não seja internamente corrida por ser capaz - nada se conclui, a não ser que as “coisas” continuam a acontecer neste nosso Pobre País, e nunca ninguém de lado algum é responsável, e muito menos responsabilizado.

Claro que a AR não é o Tribunal. Mas depois deste triste espectáculo com a maioria das pessoas que têm ido a esta Comissão, ficamos todos apalermados, uma vez que cada um nunca teve culpa, foi sempre do outro e do outro. E tudo fica- ainda - mais baralhado, mais complicado e nada se vai resolver, e a única certeza é que não havendo responsáveis, nem responsabilizados lá vamos nós “certinhos” contribuintes, pagar tudo o que outros fizeram, mas não fizeram, nem estavam lá.

Mas existe um o prejuízo causado ao País e aos Portugueses, a investidores, a Pessoas que ficaram desempregadas, e, nem se sabe por quem, quando, como, aonde.

Será que vale continuarem a haver estas Comissões, mais que não seja pela energia eléctrica, águas de “beber”, refeições que se gastam. Claro que dá muitos noticiários e horas de televisões, mas chegará?

E também dá espaço a tantos comentadores que nestes últimos 4 a 5 anos aparecem de todos os lados, a terem tempo e espaço para comentar o que está comentado até à exaustão, mas sem resultados práticos para o País.

Supostamente, só supostamente – um suponhamos - haverá um culpado que era o mais alto responsável pelo BES/GES, mas depois já não é, vai para o que se lhe segue, que também não é, depois mistura-se a PT que também ninguém viu, estava, nada, de seguida pode ser que seja o Regulador, mas afinal também já não é, depois suspeita-se que o Governo e os Governantes sabiam, deviam ter feito mais, nada, afinal era com o Regulador.

E vamos andar nisto, em círculos, sempre em redor do que aconteceu, mas afinal não terá mesmo acontecido? Ou foi um sonho mau, mais um pesadelo ao País!

E nem um responsável, nem um responsabilizado, e tudo continua como dantes e vamos nós de facto contribuintes pagar “tudo isto”!

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
18 de Março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Conselho Nacional de desEducação

Pela sua importância e actualidade, incluímos aqui, com autorização do autor, Guilherme Valente, um artigo publicado na última edição do semanário EXPRESSO.


CONSELHO NACIONAL DE DESEDUCAÇÃO
 
Entre as várias coisas boas que este Ministro da Educação foi capaz de fazer, a melhor foram os exames. E a prova, como se previa, viu-se logo: passados um ou dois anos sobre a medida, as médias subiram em todas as escolas. Em todas, mas mais… nas públicas! Nas "más", e isso é que é importante, para dar oportunidade e esperança a todas as crianças, criando as condições para diminuir o fosso da desigualdade social. (E subiram menos nas privadas por nelas haver já mecanismos de exigência de trabalho e de ser outro, regra geral, o empenho dos pais.)

Saudada com júbilo pelos que realmente se preocupam com a qualidade do ensino e o destino dos alunos, essa subida nos resultados enervou e abalou, como se viu, os defensores do facilismo, da ideologia que serviu magnificamente aqueles que quiseram e querem inviabilizar a educação em Portugal.

E a reacção não tardou. O CNE, agora com a cobertura útil do presidente que passou a ter - as escolhas e delegações deste Ministro são, regra geral, um desastre - vem agora propor, criminosamente, o fim das reprovações, isto é, o fim dos exames a sério. Para isso invocou três"razões", todas agoniantes: 

Uma, a de que as reprovações não resolvem o problema dos alunos que reprovam - e a transição sem se saber resolve? E foi por isso mesmo que desde sempre defendemos... a necessidade de apoio reforçado aos alunos reprovados. Solução que vêm apresentar agora como se fosse uma descoberta sua.

Outra razão, a de que reprovação suscita nas crianças perturbações emocionais, é hilariante, na linha de concepções e de práticas idiotas que têm conduzido à infantilização dos alunos, gerando jovens e adultos sem autonomia, personalidades frágeis incapazes de enfrentar as mínimas contrariedades que a vida a toda a gente inevitavelmente coloca.

E, última razão evocada, a de que as reprovações custam caro ao Estado. Razão hipócrita esta, por ser apresentada pelos que sempre tão assanhadamente atacaram o Ministro por "sacrificar a qualidade do ensino à poupança de dinheiro". Poupar-se-ia 900 milhões, dizem-me que terá dito o meu Amigo Eduardo Marçal Grilo – então porque não poupam tudo? Fechem-se as escolas, acabe-se com a Educação!
A proposta do CNE junta cegueira ideológica e ressentimento a uma aparente...burrice. E porquê? Por que os exames, a reprovação (a que chamam beatamente retenção), não se destinam apenas, nem sobretudo, a proporcionar aos alunos sem qualificações para transitar de ano a possibilidade de recuperarem. O objectivo e benefício dos exames a sério são sistémicos.
 
Isto é, promover o estudo pelos alunos todos, a qualidade do ensino (e o estudo...) pelos professores, a preocupação dos pais relativamente ao trabalho escolar dos filhos, e também o empenho e competência do aparelho do Ministério. O objectivo dos exames é, em suma, pôr toda a gente a trabalhar, a estudar, a ensinar e a educar realmente, informando e responsabilizando todos, professores, directores, escolas, ministério e pais. 

Percebe-se, assim, porque precisamos em Portugal de um regime de exames bem diferente daquele de que necessitam sociedades como a finlandesa ou a japonesa, por exemplo.

Acabar com os exames, como agora vem defender o CNE, determinará, rápida e inelutavelmente, que se passe a estudar menos e a ensinar pior. Voltará a descer, portanto, o nível de formação dos alunos, a crescer o abandono escolar e a indisciplina, a irresponsabilidade de estudantes e professores (e a frustração dos melhores deles), a indiferença dos pais. E os mais prejudicados seriam, serão…, como sempre foram, os mais desfavorecidos, assim se contribuindo para agravar ainda mais as desigualdades sociais. E entrariam ainda menos alunos no ensino superior, a não ser que também nesse grau de ensino viesse a verificar-se uma descida ainda mais escandalosa de exigência. Facto, infelizmente, bem provável, aliás, pois não começaram já alguns Politécnicos a decidir o fim de alguns exames – com excepção do exemplo que se esperava dos de Lisboa, Porto e Coimbra? Tudo para agravar a miséria da realidade política, cultural, económica, financeira, o pântano em que o País tem vivido.
Guilherme VALENTE

quarta-feira, 18 de março de 2015

CDS promete... que não morre de vergonha!


Tirado do «Económico online»



É difícil ser-se mais divertido. Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça!
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar
Esperemos é que não seja a caminho do mar, mas a caminho da oposição.

Como é que é possível que ao fim de quatro anos a descoisar o País, haja na maioria quem tenha o descaramento de dizer que vai lutar por baixar o IVA que ergueu contra a restauração e o turismo? E já agora, a vida dos portugueses em geral...

Não se morrerá de vergonha para os lados do «Caldas»?

«Precisávamos de um Churchill!»
«Pois... Precisamos é de aumentar os impostos sobre os charutos...»

É no que dão os «Senhores Normais», os «cidadãos imperfeitos».

A mudança necessária: da oratória vã à acção eficaz

Na série de divulgação do Manifesto POR UMA DEMOCRACIA DE QUALIDADE, republicamos este artigo de António Pinho Cardão, hoje saído no jornal i.

Como o sistema já provou não ser capaz de se auto-reformar, há que forçar alterações radicais através da pressão e da força de uma renovada opinião pública.


A mudança necessária: da oratória vã à acção eficaz 
“Ao grande orador”, é a inscrição na estátua de José Estêvão, no jardim lateral do Palácio de S. Bento. Não se refere que foi político, deputado, revolucionário, estadista, mas orador. Uma ilustração perfeita do que se passa na nossa classe política, mormente na que habita o palácio ao lado. Um grupo que maioritariamente se esgota no falar, com a suprema agravante de pensar que do seu falar resulta qualquer acção a bem do povo que sempre invoca. Uma primeira medida simbólica de renovação seria retirar para bem longe do parlamento a estátua de José Estêvão, simbolizando que o parlamento não precisa de oratória vã, mas de gente capaz de bem interpretar o sentido do serviço público.

Mas a oratória não se esgota nas tribunas do parlamento e estende-se com sofreguidão às antenas da comunicação social. Em santa aliança, a classe política e os media criaram a realidade de que político que não aparece não existe. Membros do governo, deputados influentes, notáveis tornaram-se simples serventuários das agendas mediáticas, participando activamente num tipo de informação de encher chouriços, com todos a reagir a todos, numa conversa em redondo e num círculo sem sentido, princípio ou fim.

Claro que este supremo desígnio de existir contende com o acto de governar ou de fazer oposição eficaz, pelo ruído que provoca e pelas entropias que cria. E pelo tempo que ocupa, sobrepondo-se ao estudo dos dossiês, à reflexão, ao diálogo com as estruturas da administração pública ou com os intérpretes dos diferentes interesses em jogo. Neste processo esquecem-se as verdadeiras necessidades e aspirações do povo, trocadas pela imperiosa necessidade de existir, servindo os media.  

O pessoal político tem vindo a reproduzir-se dentro dos mesmos círculos fechados dos directórios centrais e regionais partidários. Não há recrutamento fora do círculo, pelo que rareia o sangue novo exterior. E, como nos seres humanos, também nas instituições que assim procedem se multiplicam as doenças da consanguinidade. Os sintomas estão à vista, como a dificuldade de obter consensos em pontos essenciais, consequência natural da agressividade que os políticos exibem em público, exemplo acabado de um desbragamento e má educação bem opostos a um viver democrático.

Como o sistema já mostrou não ser capaz de se auto-reformar, há que forçar alterações radicais através da pressão e da força de uma renovada opinião pública. Entre elas, a reforma do sistema eleitoral, pela introdução do voto preferencial nas listas plurinominais, ou através do acesso ao sufrágio de cidadãos independentes interessados no serviço público ou possibilitando a introdução de círculos uninominais, dando assim algum poder aos eleitores na escolha dos deputados, em vez de estes serem exclusivamente escolhidos pelas direcções partidárias.

De forma a fazer surgir gente com vida para além da política ou dos media, que se afirme pela substância e não precise da imagem como prova de existência.

Gente com espírito construtivo e dedicação ao serviço público, que não procure o cisco no olho do vizinho, ou o lançamento da primeira pedra para desviar as atenções de si própria.

Gente honrada, disposta a trabalhar pelo bem comum, e sem que a todo o momento possa ser achincalhada pelo adversário político.

Gente que tenha um sentido colectivo, em vez de prática de tribo.

Gente que, além dos diferentes pontos de vista, lidere e una os portugueses numa democracia de qualidade.

Algo só possível com a mudança do pessoal político e esta só possível com a alteração do sistema eleitoral.
António PINHO CARDÃO
Economista e gestor - Subscritor do Manifesto por Uma Democracia de Qualidade

Ler Livros: tão necessário, tão em desuso


A leitura, essencialmente de Livros e de qualidade, de princípio a fim, está desgraçadamente a deixar de acontecer. Muitas pessoas, hoje, entre os 18 e os 45 anos, “gabam-se” de nunca ter lido um único livro e assumem que não acham ter-lhes feito qualquer falta.

E, se este grupo etário vasto nunca gloriosamente leu um Livro, completo, é mais que evidente que o mesmo venha a acontecer a seus filhos, e assim continuamente.

A voluntária não leitura de livros, que também se estende à não leitura de jornais, de preferência, evidentemente de qualidade e não sensacionalistas, vem sendo substituída pelo que “passa” em redes sociais, na Internet – vulgo net – e em televisões.

Como é evidente as opções, as escolhas, nos meios atrás referidos ficam sempre tremendamente limitadas, uma vez que são “impostas” por outros, ficando muito mais limitadas, que a opção de visitar uma Livraria, mais ou menos classifica, e ver o que lá é possível escolher. E, assim, tantas livrarias estão a morrer.

Assume-se que a leitura, completa, de um livro não é importante, não é necessária. E o vocabulário diminui a cada dia que passa, a conjugação do verbo com o sujeito não existe e com o suposto Acordo Ortográfico que nem o virá a ser – felizmente – vale cada um escrever como bem entender, mesmo que já nem português possa ser.

Porém, se quisermos não ser antiquados mas minimamente realistas – por certo cada vez menos e cada vez mais em vias de extinção – saberemos que o Livro é uma fonte de forte influência na “habilidade de saber ler”, na captura de conhecimentos e sabedorias, bem como e não de somenos importância, num aumento do vocabulário, que deixa de ser a “chapa batida” usada, por todos, e não poucas vezes carregada de todo o tipo de erros.

Por certo, hoje, é cada vez mais conseguível e útil ler livros por meios digitais, substituindo o papel. Mas, para que tal possa efectivamente acontecer, compete-nos, a todos e cada um, conseguir ainda fomentar a leitura completa, de princípio a fim, de Livros, que deveriam ter que voltar a fazer parte integrante do nosso quotidiano, de forma voluntária, normal, corriqueira, e não, necessariamente imposta.

Assim, a começar na família, os hábitos de leitura deveriam urgentemente ter que regressar, claro que mesmo em Livro Digital, se for a escolha livre, e até em leituras conjuntas que poderia – deveria – substituir-se às televisões e outras situações que nos são impostas, de fora, bastando ligar botões, tudo muito fixe e modernaço, e cada um em conjunto se isolar, como se não estivessem mais pessoas, no mesmo espaço. Tão vulgar, hoje.

Nas escolas o objectivo deveria ter que ser o mesmo, ler como uma forma activa de querer melhor aprender e melhor ser. Com telemóveis e todas as modernidades idênticas, desligadas.

Talvez, não seja fácil, mas se nos conseguirmos e quisermos ajudar, empenhando-nos no Livro, voltará este a cumprir sua tarefa educativa em todas as idades, em papel ou não, e não se ficará como cada vez mais se está, imaturo, e a ler tudo pela rama!

Augusto KÜTTNER DE MAGALHÃES
18 de Março de 2015