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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O Kremlin informa: desemprego rebenta a escala!

Kremlin 1989, a consagrada autoridade estatística universal
Hoje, o Instituto Nacional de Estatísticas divulgou as estatísticas do emprego referentes ao segundo trimestre do ano. Segundo o Diário Económico, o INE «avançou (...) a estimativa para a taxa de desemprego relativa ao segundo trimestre: 11,9%, o valor mais baixo desde o final de 2010.» De acordo com a mesma fonte, a «população desempregada foi estimada em 620.400 pessoas, menos 92.500 do que no trimestre anterior.»

Tudo falso! Redondamente falso.

De acordo com a reconhecida autoridade estatística universal KREMLIN 1989, representada em Portugal pelo PCP, a cifra real do desemprego poderá ascender a mais de 1,6 milhões de pessoas. Segundo esta reputada fonte (notícia RTP), lembrar os «500 mil portugueses que foram obrigados a emigrar», assim como somar «os 250 mil inactivos que desejariam trabalhar e que não contam para a estatística» e «os 240 mil que estão em situação de subemprego». Segundo o prestigiado organismo, se todos estes portugueses fossem contabilizados, a taxa de desemprego seria «muito superior a 30%».

Especialistas do sector sublinham que estes números apresentados pela agência KREMLIN 1989 são estimativas bastante moderadas, pois o organismo acedeu em não incluir nos seus cálculos os portugueses das várias gerações de emigrantes e luso-descendentes, os cidadãos precocemente falecidos que não teriam ainda atingido a idade de reforma e os jovens em idade de trabalhar (maiores de 16 anos) que ainda se encontram a concluir estudos. Nesta eventualidade, os mesmos especialistas calculam que a taxa de desemprego, em vez daquela «taxa mascarada», poderia ultrapassar mesmo os 100%!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Álvaro e Gaspar: a notícia do dia


O dia vai animado com uma notícia a que não estávamos habituados desde há vários meses: estamos a crescer. A notícia apresentou-se mesmo acima dos rumores que ontem já corriam: a variação trimestral, em cadeia, do PIB nacional foi de 1,1%! E a notícia chegou em vários tons e abundante informação:
  • Público: Portugal sai da recessão com crescimento de 1,1% no segundo trimestre.
  • Jornal de Negócios: Economia portuguesa cresce 1,1% no segundo trimestre e supera previsões.
  • jornal i: PIB português foi o que mais cresceu na UE no segundo trimestre.
  • Expresso: 'Pequeno salto' de 416,5 milhões retirou Portugal da recessão.

Por mim, sinto o dever, por estes factos, de cumprimentar e agradecer aos ex-ministros Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira o trabalho árduo que desenvolveram. 

Estes números dizem respeito ao 2º trimestre de 2013, isto é, ao período que terminou em 30 de Junho, cobrindo, portanto, o final da sua acção governativa. Vítor Gaspar retirou-se exactamente a 1 de Julho; e Álvaro Santos Pereira saiu no quadro da remodelação governamental mais ampla que encerrou a infeliz e muito perigosa "crise política de Julho" (de 2 de Julho a 24 de Julho). 

No caso de Álvaro Santos Pereira, que também detinha a pasta do Emprego, deve ainda ser-lhe  creditada a muito significativa baixa da taxa de desemprego de 17,7% para 16,4% que fora já notícia há dias atrás.

As felicitações são devidas sobretudo às empresas, aos empresários e aos trabalhadores que estão no terreno e às famílias e cidadãos portugueses que enfrentam e vencem as muitas dificuldades com coragem e estoicismo. Também é bom, porém - e necessário, - que o crédito seja atribuído àqueles sobre que se quis fazer recair descrédito: os primeiros ministros das Finanças e da Economia desta legislatura tão decisiva para Portugal. 

Os que tanto foram vergastados por números maus devem ser felicitados, na mesma medida, pelos números bons.

Nenhuma destas notícias é para deitar foguetes. A situação continua muito difícil e ainda carregada de múltiplos desafios e incertezas. O caminho do país e a tarefa do governo permanecem inalterados, muito duros e exigentes. E o governo faz bem em baixar a temperatura e arrefecer excitações despropositadas. Sobriedade e determinação devem continuar a ser nota dominante.

Mas são, sem dúvida, factos animadores: encorajam quem porfia e atraem quem duvidou. Precisávamos desses factos e bem os merecemos.

Como cidadão e como deputado, muito obrigado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sinais dos tempos



Há bocado, estacionando o carro no Campo Grande, abeirou-se de mim uma pessoa, a pedir. Acontece muitas vezes. Às vezes, ligo; outras vezes, nem por isso. Hoje, prendeu-me a atenção. 

Pedia-me ajuda, que tinha fome. Pedia-me uma moeda, para almoçar. Dei-lhe esmola. Reparei que estava relativamente composto. Tinha bom aspecto. Estava envergonhado. Falava baixo. A medo. Perguntei-lhe: «Está desempregado?...» Disse-me que sim, com as lágrimas nos olhos: «As pessoas olham para os cabelos brancos e acham que já não sabemos trabalhar.»

Perguntei-lhe se já tinha procurado ajuda nas instituições sociais. Que sim: «Fui à Junta de Freguesia e mandaram-me à Misericórdia. Fui à Misericórdia e mandaram-me à Segurança Social. Fui à Segurança Social e mandaram-me para a Junta de Freguesia...» Insisti ainda: «Então e o Rendimento Social de Inserção?» Disse-me que seriam 95 euros por mês... E fiquei até sem saber se os recebia, ou não.

Perguntei-lhe se era dali. Que não: «Não, senhor doutor. Vivo na Charneca da Caparica. Tenho que andar por aí, a ver se encontro quem me ajude.» 

Depois, perguntou-me ele: «Não é o Dr. Ribeiro e Castro?» Respondi-lhe que sim. Disse que me conhecia da televisão e mais umas coisas simpáticas. Achou-me muito mais magro e quis saber: «Não está doente, pois não?» Disse que não. Comentou: «Ah! Ainda bem.»

Perguntei-lhe qual era o seu ofício e que idade tinha. Respondeu-me: «Era cortador de carnes, mas o talho teve que dispensar pessoal.» E disse-me que tinha 58 anos. De novo com as lágrimas nos olhos, sussurrou: «Às vezes, sinto-me de tal maneira que me passam umas coisas pela cabeça...»

58 anos é também a minha idade. Dei-lhe uma palmada no braço. Desejei-lhe boa sorte. 

Tempos difíceis, estes. Muito difíceis.