sexta-feira, 10 de março de 2017

24 leninistas e um medroso, um tuíteiro e um bitaiteiro


Ah, se em 1917 já houvesse "pós-docs" na Universidade de Zurique! Se o Boaventura já lá mandasse! 


Roubei parte do título deste post ao João Miguel Tavares que na quinta-feira escreveu no Público um artigo intitulado «24 palermas e um medroso».
Confesso que quando li, achei que ele tinha escrito «merdoso», que foi o que eu achei que era adequado…
Quanto aos «24 palermas» não façam confusão: esses palermas são perigosíssimos, como se viu hoje pela defesa que os «palermas» do bloco e da esquerda do PS fizeram deles.
Há muito tempo que os «palermas» têm vindo a tomar de assalto várias instituições onde instalaram o padrão de pensamento único leninista que caracteriza a esquerda portuguesa. Alguns são verdadeiros palermas, armados em «compagnons de route» como nos velhos tempos do PCP. Acontece que estes leninistas são bem diferentes dos estalinistas do antigamente. Esses eram apenas detestáveis na sua boçalidade comunista. Estes, agora, são odiosos na sua «finesse» pequeno-burguesa aperaltada.
Odiosos, digo eu, porque para além do mais são perigosos: infiltraram-se na Universidade, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, promovem-se uns aos outros, policiam-se no seu pensamento único, reprimem quem não pensa como eles e atacam em nome de dogmas históricos e sociais qualquer pensador do país que discorde dos dogmas deles.
Atacam e as mordidelas deles magoam, não tenham ilusões. A nível académico, podem destruir carreiras, desfazer reputações, impedir o acesso à imprensa (porque controlam o processo de decisão em jornais de referência), matar à nascença, pelo ridículo que nunca ninguém discute, tudo o que lhes desagrade.
Estas alminhas começaram as suas guerras nos anos 90, logo a seguir à queda do “muro” com a luta contra a globalização e o “alter-mundismo”. Passaram as últimas 4 décadas a aumentar a dose de má consciência do ocidente, ridicularizando sempre quem se atrevesse a escrever sobre o valor dos princípios ocidentais. Depois passaram para a agenda social com a «agenda gay» dos casamentos dos ditos à adopção; As lutas em prol das pretensas minorias que na verdade são lutas contra os consensos maioritários. Tudo lhes serve para instrumentalizar no seu ataque à sociedade onde vivem: as mulheres, os negros, os muçulmanos…
É como se quem não pensasse como eles em matéria de destruição da sociedade em que vivemos, fosse um troglodita forçosamente «fascistas, xenófobo, racista, machista[1]» e de caminho, pelo seguro, de certeza que é ladrão e tem uma offshore.
Instalaram portanto uma cultura de ódio social, de que esta semana vimos um afloramento na atitude dos célebres «24 palermas» e pior ainda, na defesa que deles fizeram os deputados de esquerda na AR. Atitudes que apenas reflectem o pensamento profundo dos Louçãs e Boaventuras que pastoreiam a esquerda portuguesa.
Uma frase para o «medroso», que já podem imaginar quem seja: o cavalheiro que para «evitar conflitos» decidiu que bom, bom, era obtemperar à imposição dos «palermas» e cancelar a conferência de Jaime Nogueira Pinto.
E depois há o «bitaiteiro»: o nosso estimadíssimo Presidente que, tal como o dos EUA que passa por doido, atrasado mental no mínimo, se pronuncia sobre tudo o que mexe ou vai mexer nos segundos seguintes.
99% do que Marcelo diz ou faz, é tão inconsequente ou transiente, tão pouco substantivo, como os tweets de Donald Trump. A impressão que dá é que reage de forma pavloviana a qualquer eco de qualquer coisa, seja o que for e mesmo que não tenha entendido bem. Ou seja, temos um Presidente que reage por «bitaites» várias vezes ao dia.
Pois a este cavalheiro parece chocá-lo mais a expressão de opiniões vindas do PSD, sobretudo se forem de Passos Coelho, do que o verdadeiro «assalto ao castelo» a que estamos a assistir em directo com o assalto grosseiro ao Banco de Portugal por parte do PS e o ataque descarado ao Conselho Superior de Finanças Públicas, do qual Marcelo só notou que alguém falou em «milagre», pouco lhe interessando o modo e o contexto…
Temos então que perante a arrogância e grosseria crescentes da nossa esquerda doméstica e alter-mundista de trazer por casa, ao Presidente ocorre atacar a Drª Teodora porque falou ironicamente em “milagre” a propósito dessa obra-prima de fingimento financeiro que é o deficit do estado em 2016.
Objectivamente o nosso Marcelinho dos afectos é um cúmplice ou um compagnon de route tudo menos inocente dos «24 palermas» e dos seus apaniguados Louçãs e Boaventuras.
Com esta rota traçada dá para entender para onde vai a barca…





[1] Já ouvi chamar «machista» a uma mulher que discordava dos «palermas».

3 comentários:

Luisa Mota de Campos disse...

Muito bom!

Luisa Mota de Campos disse...

Muito bom!

Augusto Küttner de Magalhães disse...

EXPRESSO 11.MARÇO. 2017


Estamos a consumir demasiado e a crédito
Voltámos a um certo consumo excessivo e em simultâneo a fazê-lo a crédito.
Ou seja, estamos a ir pedir emprestado dinheiro, que teremos que mais tarde que pagar, para comprar automóveis novinhos em folha, vejam-se os que circulam por todo o lado nas nossas ruas, para fazer viagens, vejam-se como estão esgotados tantos destinos paradisíacos e não só, na Páscoa próxima. E, por vezes em situações, ao que parece, que não são assim tão essenciais, e que nos comprometem o futuro.
Muito do que consumimos e a crédito é importado, dado que não “fazemos” um único automóvel. E, se quisermos ver com olhos de ver, todos os dias mais e mais novos circulam com datas do mês em curso. Dinheiro que sai, dinheiro que não é nosso, e, que o vamos ter que pedir emprestado à banca. E não é dinheiro para investimentos produtivos ou poupanças futuras!
Claro que, o Governo anterior teve um “prazer” em nos amesquinhar, em nos fazer pobretes e nem alegretes, em cortar para além do que os nossos credores externos exigiam, vulgo “troika”, e ainda para agravar deixou “situações” descontroladas, que hoje estão a ter que ser resolvidas como offshores e não só. (….)
A Küttner de Magalhaes