sábado, 10 de novembro de 2012

Cortar gorduras

Ando há muito tempo a dizer que, se eu fosse ministro das Finanças, a primeira medida que tomava era acabar com todos os automóveis ao serviço do Estado com a eventual excepção de um carro por membro do governo.

Há serviços que não podem obviamente dispensar uma frota: ambulâncias, bombeiros, polícia, forças armadas, etc.

Mas depois há os milhentos serviços, empresas públicas, institutos, administrações hospitalares e por aí fora, em que qualquer pequeno chefinho dispõe do seu carro de função ou de serviço, que utiliza a semana e ao fim-de-semana, gasolina e manutenção, seguros e garagens pagos pelo Estado que tão generosamente acolhe essa gente no seu seio.

No total, são dezenas de milhares de automóveis dispersos sem qualquer controlo por serviços da administração central, autarquias e variados institutos e empresas; mais os motoristas, claro. Julgo que até hoje ninguém fez as contas a quanto custa esta "pequena" gordura do Estado português.

Há anos, quando era secretário de Estado da Justiça, desloquei-me à Suécia a convite do ministro da Justiça local. O local da reunião era uma modesta escola hoteleira nos arredores de Estocolmo, junto a um lago. O ministro sueco apareceu de bicicleta, porque vivia ali perto e convidou-nos a todos para um simpático passeio de bicicleta à volta do lago. Durante o passeio, explicou-me que ia de comboio para o ministério e levava com ele a bicicleta. Quando chovia, ia de eléctrico. Não tinha carro de função. Havia um pool de automóveis do Estado que eram chamados quando eram necessários, e não mais. Afinal, dizia ele, toda a gente tem o seu carro, para que precisam de um do Estado?

Fez-me pensar. Nessa época, eu tinha 4 carros no meu gabinete, um de função, um de uso pessoal, um ao serviço do meu chefe de gabinete, e um para o serviço geral do gabinete. Quatro motoristas, claro. O facto de os carros serem velhos não era uma atenuante, era uma agravante, porque custavam fortunas em manutenção. Some-se a isto seguros e garagem. O custo desta frota era e é absurdo e, afinal, soma o quê ao serviço público?

Pois os espanhóis, aqui ao lado, descobriram esta gordurita do estado e decidiram acabar com ela. 

Dizem os pequenos génios que nos governam que afinal não há gorduras do Estado para cortar.... Digo eu que agora deixou de lhes dar jeito cortar as gorduras de que beneficiam.


Pois comecem pelas que há, mesmo que isso os obrigue a andar de metro!

2 comentários:

al cardoso disse...

Esta e uma das gorduras, mas ha muitas mais! E certo que pode ser uma gota de agua dos gastos, mas pelo menos seria uma medida sensibilizadora!

Um abraco.

João Mota Campos disse...

O gabinete do primeiro-ministro diz que já só possui 22 automóveis e está a fazer um esforço por reduzir o número de carros.

Estado tem mais de 27 mil carros ao serviço

O parque automóvel do Estado era composto, no final de 2011, por 27.692 veículos, menos 658 que no ano anterior, uma redução de 2,3%.