Mostrar mensagens com a etiqueta saúde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta saúde. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de junho de 2016

“Rendas”? Metam-se com gente grande!


Fonte: apodrecetuga


A esquerda unida resolveu atacar a liberdade de ensino com base no ataque a uma economia de “rendas”: isto é, sectores que ganham rendimento sem grande esforço, porque é o Estado que, por leis e contratos públicos, lhes garante o “mercado”. Esse seria o caso, na campanha montada, dos colégios privados – e assim se ataca e mata a liberdade de escolha no ensino.

Esta linha, eficaz na comunicação, embasbacou e pôs de cócoras os partidos à direita. E vai fazendo o seu caminho, escondendo o sofisma em que assenta. Cavalga demagogia.

Já aí vem nova frente da revolução: a saúde, com ADSE e outros sistemas de parceria postos debaixo de fogo. A qualidade da saúde e a escolha do doente que se lixe! E há quem assegure que as IPSS, no sector da acção social e segurança social, serão os alvos seguintes. Estatizar é preciso!

Esta questão das “rendas” tem muito que se lhe diga. 

Porque o seguro automóvel é obrigatório, deverá transitar apenas para uma seguradora pública os seguros dos nossos carros? Porque as leis obrigaram a uma inspecção obrigatória dos veículos após certa idade, deverão ser estatizados as oficinas e centros de inspecção que prosperaram um pouco por todos o país? Porque é obrigatório por lei tirar carta de condução, deverão ser nacionalizadas as escolas de condução?

Não serão todos estes, afinal, beneficiários “ilegítimos” de “rendas” públicas?

Não. Não podemos confundir os casos em que existe trabalho, esforço efectivo e prestação concorrencial, bem como um evidente benefício social na liberdade de escolha dos utentes e cidadãos, com situações parasitárias, de “renda garantida” em sentido próprio. Aqui, a experiência mostra até que a "renda garantida" resvala facilmente para "renda excessiva", a coberto do regime público de privilégio.

O caso mais escandaloso é o das rendas na energia, em especial no caso da EDP, pesando duramente nas nossas facturas mensais e na economia nacional. Escandaloso pelos muitos milhares de milhões que envolve; e escandaloso pelo número de anos a que dura.

Aqui, ninguém faz nada. Não fizeram nada os governos Sócrates, que consolidaram o sistema de privilégio. Não fez quase nada, quanto ao essencial, o governo PSD/CDS, apesar das contínuas chamadas de atenção da troika e da Comissão Europeia. E nada faz também o actual governo de maioria de esquerda, apesar de o salário do presidente da EDP (mais de 7.000 EUR/dia) ser notícia frequente.

Quanto a “rendas”, é só garganta. Vá, deixem-se de demagogia. Metam-se com gente grande!

sábado, 14 de março de 2015

Basta dizer não?



Devido ao envelhecimento da população, está a surgir em Portugal e na Europa uma justificada atribulação nos Serviços de Saúde.

As pessoas de mais idade são mais susceptíveis à doença, necessitando de cuidados de proximidade mais imediatos. Estas pessoas formam a generalidade dos “bedblockers”, designação dos doentes que estão internados no hospital e que impedem, por motivos de carência sócio-familiar, a rotatividade do internamento nas camas que ocupam, quando deveriam ir para casa.

Estima-se que mais de 10% das camas hospitalares estão hoje bloqueadas, pela total impossibilidade dos doentes serem acompanhados no domicilio.

Não tem nada a ver com o mundo da medicina; os profissionais de saúde dão a conhecer que o trabalho que realizam está longe de ser eficaz. Com os inúmeros problemas e insuficiências, o sistema público está à beira da implosão. Todos concordam que são necessárias mudanças: em poucas palavras, diminuir custos e aumentar a qualidade dos serviços prestados.

Facilmente se compreende que o sistema de proximidade, que deve permitir acesso imediato, só pode acontecer através da fixação dos médicos e de enfermeiros, aproveitando as estruturas disponíveis, desenvolvendo métodos de organização e gestão financeira. O desenvolvimento do conhecimento e das tecnologias, permite-nos recorrer, nos dias de hoje, a técnicas menos invasivas e muitos dos actos médicos passaram a desenrolar-se num tempo muito mais reduzido. É a aposta no ambulatório e fundamentalmente na prevenção primária. Então, deixará de fazer sentido o investimento em grandes estruturas fixas.

A mobilidade dos profissionais de saúde não pode consistir em medidas avulsas com incentivos a premiar o eleitoralismo; tudo deve ser feito na dose certa e no tempo exacto, tal como a propósito da administração dos antibióticos. Sistemas de flexibilidade nos recursos humanos devem ser feitos ao ritmo das necessidades da população e da evolução demográfica, em lugar de pertencer à instituição A ou B,  já que o profissional está ao serviço do país e de uma determinada região. Por outro lado, as alterações que o efeito sistémico nos vai obrigar a fazer tornam a realidade de todo o sistema de saúde diferente, obrigando todas as estruturas intervenientes no sector da saúde a ter uma comunicação regular e sistematizada, não permitindo duplicação de tarefas, que criam ineficiência na prestação de cuidados .

Os recursos devem ser adequados, quer na qualidade, quer na grandeza expressa em números. É neste contexto que deve existir uma alteração no modelo de governação clínica, com uma rede de cuidados feitos no domicilio, utilizando as tecnologias actualmente disponíveis.

A reforma que deve ser feita no Serviço Nacional de Saúde tem a obrigação de se comprometer com a isenção para as pessoas com menos recursos, com a liberdade de mudar de hospital, com o envolvimento dos profissionais na gestão, com o estabelecimento de esquemas de incentivos e penalizações, com o financiamento dos hospitais conforme os objectivos de qualidade e as exigências de carácter cientifico e técnico.

Defender a saúde é preservar a universalidade e a equidade. Na saúde, os problemas põem-se com especial acuidade, os seus efeitos são determinantes para o País, do mesmo modo que os seus resultados influenciam a satisfação ou as frustrações do colectivo.

Nenhum Governo tem o direito de tratar as instituições com suspeição! Às instituições públicas, e sociais devem ser reconhecidas as iniciativas de consciência pública que têm praticado, em beneficio da preservação do sistema de saúde. Em simultâneo, nenhuma instituição está isenta de responsabilidade no desenvolvimento da reforma que deve ser feita no Serviço Nacional de Saúde. 

É fácil dizer que o principal problema da saúde em Portugal é o financiamento, mas, na realidade, o mais importante é o planeamento e a organização. Na realidade, os cuidados de saúde devem ser pagos pela riqueza produzida, mas na saúde é desejável a neutralidade política e o sentido deontológico.

A maioria dos doentes em Portugal pode receber tratamento num hospital da sua escolha, entre públicos e privados? Na realidade, não pode escolher o hospital, nem o médico, nem o centro de saúde.

Certamente que a liberdade de escolha obriga a um maior esforço dos melhores hospitais, em que os menos eficientes teriam muito provavelmente de encerrar as suas portas, mas cria a cultura da responsabilidade de um e de outro (oferta e procura).

O sector da saúde na Alemanha emprega mais de 4 milhões de pessoas - entre estes, 360.000 médicos e dentistas, 500.000 auxiliares de consultório, 50.000 farmacêuticos e mais de um milhão de enfermeiros e auxiliares de enfermagem, nos 2.200 hospitais do País e com uma receita que ultrapassa os 230 mil milhões de euros/ano. A prestação social gasta 140 mil milhões de euros por ano para garantir a saúde dos associados com seguro obrigatório, que garante o atendimento de cuidados primários, mas não é eficiente. Há mais de duas décadas que tentam reformar o sistema de saúde e, até agora, os problemas persistem. No entanto, o envelhecimento da população e o progresso da medicina vão implicar mudanças profundas que não admitem delongas. O grande impasse é na decisão de se implementarem planos médicos particulares para todos.

O National Health Service (NHS) está à beira do colapso. Agentes da saúde, desde os médicos aos doentes, admitem publicamente a necessidade de mudarem os conceitos e a organização do sistema público de saúde britânico. Há três meses, um verdadeiro caos aconteceu nas urgências, mais de 20.000 doentes em macas, tiveram tempos de espera superiores a 12 horas até serem atendidos. Aumentam a cada dia as correntes de opinião de que o sistema de saúde não pode continuar a ser gerido como tem sido.

Em Espanha, o objectivo é cortar custos e apesar de o acesso à saúde ser um direito que está consagrado no artº 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a universalidade dos serviços de saúde respeitada por muitas décadas, é questionada.

Um provérbio Chinês diz:

Dinheiro perdido, nada perdido;
Saúde perdida, muito perdido;
Carácter perdido, tudo perdido.

Podemos perder dinheiro. Mas a saúde e o carácter não!


João Varandas Fernandes

segunda-feira, 9 de março de 2015

Desafios prementes do sistema de saúde


MAR PORTUGUÊS

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
tem de passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa, in Mensagem)


Há questões sobre as quais é obrigatório reflectir:

- A crescente escalada de custos com a saúde é uma realidade mundial, e a portuguesa?

- A inabilidade do modelo actual de financiamento para dar respostas às necessidades existentes.

- A incapacidade que têm os intervenientes no sector para implementar modelos de gestão que permitam eliminar os desperdícios de recursos que caracterizam o sector.

- A organização e o planeamento da actividade hospitalar exige decisões céleres do executivo.

Há, além disso, problemas estruturais já identificados:

- Reduzido grau de cooperação entre os diferentes níveis dos cuidados de saúde.

- Incapacidade dos cuidados primários em suster a procura das urgências hospitalares por parte dos cidadãos.

- Cuidados hospitalares dimensionados para dar resposta a um perfil assistencial que não é da sua competência.

- Número de hospitais superior às reais necessidades do País.

- Fraca capacidade de resposta no tratamento das doenças crónicas, que representam 70% a 80% dos gastos em saúde.

- Apesar de todos os esforços, a resposta dos cuidados continuados é insuficiente.

O maior desafio que se coloca às despesas sociais resume-se objectivamente ao evidente envelhecimento da população, que provoca uma inversão contínua da pirâmide geográfica, com a consequência de a riqueza a ser criada pelas gerações vindouras não vir a ser suficiente para suprir as necessidades das gerações actuais.

Constatamos isto mesmo ao analisar dados relativos a 1960 e 2008:

A população residente em 1960 era de 8,9 milhões e em 2008 era de 10,6 milhões; em 1960, o número médio de filhos por mulher era de 3,2 e em 2008 de 1,4; em 1960 os jovens com menos de 15 anos eram de 2,6 milhões e as pessoas com mais de 65 anos aproximadamente 709000, ao passo que em 2008 os jovens eram 1,6 milhões e as pessoas com mais de 65 anos 1,9 milhões.

O envelhecimento da população provocará um aumento dos gastos públicos de entre 1% e 2% do PIB nos próximos anos, segundo dados da Comissão Europeia divulgados em 2007.

Se nada for feito no curto e médio prazo, a insustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos moldes que conhecemos agravar-se-à seguramente, dados os constrangimentos presentes no espaço orçamental do Estado.`

É obrigatório ver o problema como um todo, mas as soluções resultam da soma de cada uma das partes.

Por conseguinte, parece não ter constituído nenhuma grande valia para este governo, a expectativa de reforma na saúde provocada pela " TROIKA". A reforma induzia a ideia de que teria havido um projecto politico subjacente à centralidade politica e à governamentalização da administração, os factos mostram não ter existido um programa com sucesso. A "TROIKA" como terramoto não destruiu o sistema tradicional no sector da saúde, basta ouvir os relatos dos doentes e dos profissionais.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Que estratégia para o SNS?


Com o ritmo de evolução diferenciada que as doenças infecciosas e tumorais apresentam, o controlo de utilização dos meios farmacológicos e técnicos necessita de uma grande responsabilização financeira. Resta saber quem a assume. Estado? Doentes? Fundos Sociais a criar?

O primeiro passo a definir claramente é qual é o papel do Estado.

As acções conjuntas do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças devem reconhecer a indústria do medicamento como sector estratégico. Entendo que a criação de uma comissão independente que acompanhe os princípios do acordo deste modelo integrado, de responsabilização, é muito importante para o interesse público e a defesa dos cidadãos. É fundamental que sejam conhecidos com transparência todos os procedimentos realizados, especialmente o esforço financeiro de cada empresa.

A abertura à intervenção das empresas obriga o Governo a não ficar na passividade que lhe é característica, de modo a não sucumbir aos primeiros sinais de insucesso das políticas. As mudanças fazem-se com confiança e envolvimento colectivo. É perigoso continuar a prometer que se oferece cuidados assistenciais e terapêuticos a todos, sem o conhecimento e a responsabilidade de cada um dos intervenientes.

De facto, sem a ajuda da indústria farmacêutica, não é possível garantir os ajustamentos da despesa pública em medicamentos, preservando a sustentabilidade do serviço público de saúde. Para além da regulação de preços instituída pelo Ministério da Saúde, a indústria farmacêutica assumiu a responsabilidade de participar no esforço de reduzir a despesa pública em medicamentos nos próximos anos.

As opções estratégicas assumidas não são do conhecimento dos profissionais de saúde, principais alvos a envolver em todo o processo de investimento, desenvolvimento e controlo, relacionado com os desafios tecnológicos e com o consumo de medicamentos.

Há muito trabalho a realizar e o envelhecimento da população desencadeia o aumento do consumo do medicamento; mas sabemos que cerca de 80% das mortes prematuras por doenças cardiovasculares e derrames cerebrais podiam ser prevenidas com uma dieta equilibrada para a saúde, uma actividade física regular e uma ausência do consumo do tabaco. A prioridade do Estado na prevenção deve ou não ser estratégica?

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Interrogações e desafios no Serviço Nacional de Saúde


Pelo Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que envolve os mais variados indicadores (Saúde, Rendimentos, Educação, Pobreza, Mortalidade Infantil, Sucesso Escolar...), usufruímos hoje de vidas mais longas do que alguma vez tivemos e com mais oportunidades, embora haja exceções. No entanto, a situação na Europa e nos Estados Unidos, desencadeada pela negligência grave da regulação financeira, provocou, a partir do ano de 2008, o colapso de várias instituições com as consequências que conhecemos.

Assistimos na Europa, e concretamente em Portugal, a perda de poder económico de uma classe média que possui décadas de prosperidade. Uma classe média que deixou de ter paciência, mais informada e intolerante para com o Governo, que não é capaz de produzir mudanças políticas, para além do que lhe é imposto pela TROIKA.

A vida das pessoas em Portugal não melhorou. Pelo contrário, é infinitamente pior à vivida na primeira década do século XXI.

Infelizmente, assistimos a um fluxo de mobilidade de Portugueses mais jovens e não só, procurando uma qualidade de vida que entre nós não é opção. O fluxo migratório pode ajudar a mudar a economia, mas seguramente transforma uma boa parte das famílias.

Os esforços feitos pelos responsáveis políticos não tiveram êxito na melhoria do bem-estar das famílias; existe consciencialização de que as expectativas foram defraudadas. Daí até ao declínio da confiança no Governo é um passo acelerado.

Poderíamos citar muitos acontecimentos. Recentemente observámos um bom exemplo: a reivindicação revolucionária numa das salas da Assembleia da República, feita por um cidadão que se sentia privado do tratamento de uma doença crónica, até aqui incurável (Hepatite C).

A mudança comportamental do responsável político foi por demais evidente; os efeitos que se provocaria eram imprevisíveis, se o bom senso não ditasse lei.

As barreiras tradicionais e de burocracia dão jeito ao poder. Hoje assistimos ao baixar dessas barreiras e ao aparecimento de cidadãos esquecidos, que tentam arranjar forma de contrariar as grandes organizações. Portugal e a Europa estão a mudar. Na Saúde, por muita boa vontade que exista nos responsáveis políticos, assistimos: a demissões de responsáveis médicos, a tratamentos de doenças crónicas adiados, a falta de camas de cuidados continuados, a atraso na reforma dos cuidados de saúde primários, a irresponsabilidade na prevenção... – podemos preencher páginas com a realidade que vivemos.

Certo e sabido, não se conseguiram mobilizar profissionais de saúde e exigir responsabilidade a quem coordena as instituições.

A reforma do Serviço Nacional de Saúde corre riscos de apagamento. As missões de governar, organizar e dinamizar carecem de métodos e atitudes distintas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A vida de cada um de nós



Há notícias simples com uma importância extraordinária. Porque, na sua simplicidade, dizem tudo. 

Esta notícia é uma dessas. Deu-nos a conhecer que, na terça-feira passada, no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, a equipa do Dr. José Fragata implantou um coração artificial a um bebé de três meses e meio. Oxalá tudo corra bem, como noutros casos muito difíceis, operados pelo mesmo médico e sua equipa, em Portugal. Foi a primeira vez que esta intervenção se realizou no nosso país numa criança tão pequena: 3 meses e 1/2!

A notícia mostra-nos como o direito à saúde de cada um de nós, desdobramento do nosso direito à vida, existe desde os nossos primeiros dias. E mostra-o, na sua maravilha, sem necessidade de mais explicações. 

Há uma vida para salvar? Há uma vida para salvar. Há uma vida para proteger? Há uma vida para proteger.

A cirurgia médica para salvar vidas, ou para corrigir deficiências ou insuficiências, já se faz mesmo antes de nascermos. Por exemplo, este caso que foi noticiado em Maio do ano passado: Para salvar seu bebé ela enfrentou uma cirurgia intra-uterina. São casos de espinha bífida/mielomeningocele, em que a cirurgia é feita a partir da 24ª semana de gestação (para o filho) ou de gravidez (para a mãe), havendo relatos e registos de várias intervenções. E há muitas outras doenças em que a actuação médica, até mais simples, sobre o bebé antes de nascer é decisiva.

O direito à saúde existe, de facto, desde os nossos primeiros dias, a partir da concepção. Tudo isto o mostra, na sua maravilha, sem necessidade de mais explicações. É uma directa decorrência da vida e do direito à vida.

Por isso é tão importante assinar e divulgar a petição ONE OF US | UM DE NÓS, uma petição transeuropeia que pretende reunir em toda a União Europeia um milhão de assinaturas para promover a protecção da vida humana desde a sua concepção na Europa e dentro das competências da União Europeia.


Visitando este portal, pode conhecer melhor a iniciativa para a divulgar junto de amigos e conhecidos. E pode assinar directamente aqui, num formulário oficial online, que fica logo registado nos serviços próprios da Comissão Europeia. 

Em 22 de Julho, já íamos em 802.408 assinaturas. Junte-se a nós! E mobilize mais gente. Cultura e civilização!

sábado, 7 de abril de 2012

Paramiloidose, tafamidis e o CDS

Enviei, hoje, este artigo para publicação na imprensa regional e local do distrito do Porto, em particular da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde


O CDS e o tafamidis: mais esperança para os doentes de paramiloidose 

Há cerca de duas semanas, os jornais davam a boa notícia: o Tafamidis vai passar a ser regularmente administrado no sistema hospitalar português aos doentes de paramiloidose com indicação clínica nesse sentido. A novidade saiu da reunião entre o secretário de Estado da Saúde e a Associação Portuguesa de Paramiloidose, com a presença do director do INFARMED. Tem evidente cunho de oficialidade e representa também um importante e sintomático desanuviamento nas relações entre os departamentos estatais e a associação representativa destes doentes. 

Este passo quase final representa o culminar de um longo trabalho de insistência política por parte do grupo parlamentar do CDS, iniciado ainda na legislatura anterior perante o governo PS e prosseguido com igual afinco e diligência no contexto do governo de coligação que integramos. E traduz uma abertura e sensibilidade das autoridades governamentais da Saúde que não é demais salientar, aplaudir e agradecer, sobretudo no quadro das enormes dificuldades financeiras e orçamentais que o país sofre. “A Saúde está primeiro!” – é exactamente a prova que está a fazer-se. 

A paramiloidose, ou “doença dos pezinhos”, é uma doença crónica, hereditária, de risco mortal, originada em Portugal nas zonas piscatórias e que atinge particularmente, entre outros concelhos costeiros, famílias da Póvoa de Varzim e Vila do Conde. É por isto que os deputados do Porto do CDS, a começar por mim mesmo, como cabeça-de-lista, abraçámos e assumimos esta causa. 

Desde que, em2009, reunimos nas Caxinas com Carlos Figueiras, o dedicado presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose, e posteriormente em diversos encontros de trabalho com a Misericórdia poveira, nunca mais largámos o assunto. Quisemos, primeiro, seguir de perto o estado da administração dos transplantes hepáticos, que era a única abordagem para estes doentes – os transplantes representaram um progresso enorme, quando foram tornados possíveis, aumentando significativamente a esperança e a qualidade de vida das vítimas desta doença traiçoeira. E, depois, assumimos claramente a liderança da pressão parlamentar para introdução do Tafamidis (medicamento Vyndaqel) em Portugal, logo que os primeiros sinais foram chegando da União Europeia, ainda em 2010. 

Quisemos saber dos apoios governamentais ao Centro de Estudos e Apoio à Paramiloidose (CEAP) da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim – pergunta a 25 de Junho de 2010, com resposta do Governo PS a 9 de Setembro de 2010. E estruturámos um contínuo processo de perguntas parlamentares ao Governo sobre a introdução do Tafamidis/Vyndaqel em Portugal, quer seguindo de perto a aprovação e licenciamento pela Agência Europeia do Medicamento e Comissão Europeia, quer questionando a sua introdução no nosso sistema de saúde. Sobre o Tafamidis, fiz perguntas parlamentares logo em 24 de Novembro de 2010 e 18 de Janeiro de 2011, respondidas pelo Governo PS a 9 de Março de 2011; e prossegui com novas perguntas em 23 de Setembro e 7 de Outubro de 2011, a que o Governo PSD/CDS respondeu respectivamente a 26 de Outubro e 10 de Novembro de 2011. Nestas perguntas, fui sempre acompanhado por todos os deputados e deputadas do CDS eleitos pelo círculo do Porto, bem como pelos colegas da comissão parlamentar de Saúde. Em Novembro, seria o colega Michael Seufert a aproveitar o debate na especialidade do Orçamento de Estado para 2012, colocando novas questões de actualidade ao Governo nesta frente da política de Saúde. E, logo a seguir, face a novos desenvolvimentos no quadro europeu, apresento nova pergunta parlamentar em 6 de Dezembro de 2011, a que o Governo PSD/CDS respondeu já em 27 de Fevereiro de 2012. 

A linha política da bancada do CDS foi sempre a mesma, ao lado e ao serviço dos doentes e suas famílias, tanto na oposição, como agora no governo: com diligência e solicitude, sem quebras e com continuidade, adoptando um discurso responsável e sem demagogia, acompanhando com atenção permanente e pontual o licenciamento europeu e nacional do medicamento, sabendo distinguir e apontar tanto a via da AIM (autorização de introdução no mercado), como a da AUE (autorização de utilização especial), e colocando também pressão sobre a indústria farmacêutica para que mostre o seu sentido de responsabilidade social e pratique em Portugal um nível de preços que não explore a vulnerabilidade dos doentes e suas famílias, nem sobrecarregue abusivamente o nosso sistema de saúde. 

Não surpreende, por isso, que o CDS fosse o partido que mostrou mais equilíbrio e domínio do assunto no debate parlamentar da questão, na sessão plenária da Assembleia da República em 27 de Janeiro passado, e que fosse também a Resolução apresentada pelo CDS nesse mesmo dia a ser reconhecida como «a mais completa e equilibrada» de entre todas as que, nesse âmbito, foram votadas nesse dia parlamentar marcante e decisivo. 

Diz assim o texto que foi feito aprovar pela bancada do CDS: «A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que, com carácter de urgência, conclua as diligências indispensáveis à introdução urgente do medicamento Vyndaquel/Tafamidis no Serviço Nacional de Saúde, seja através da competente Autorização de Introdução no Mercado (AIM), seja através de Autorização de Utilização Especial (AUE) onde as circunstâncias o justifiquem, e nomeadamente diligencie junto da indústria para a definição de termos de custo para Portugal que levem em conta a especial incidência da doença no nosso país.» 

Ora, é isto mesmo, como o CDS foi pedindo, influenciou e fez recomendar, que entrou já em execução como resulta quer das respostas directas que recebemos, entretanto, do Ministério da Saúde em 27 de Fevereiro passado, quer dos resultados publicitados das reuniões governamentais com a Associação Portuguesa de Paramiloidose. Foram esses ecos promissores que saltaram para os jornais e para a opinião pública. Ainda bem. 

Merece público reconhecimento o grande e diligente esforço que está a ser feito pelos ministro e secretário de Estado da Saúde – e também na área financeira. Estão particularmente de parabéns os doentes de paramiloidose e a sua associação que, há tanto, luta e aguarda por estes desenvolvimentos positivos. E merece aplauso a acção parlamentar do CDS e o trabalho articulado dos seus deputados pelo círculo do Porto e na comissão de Saúde. Vou continuar. 

Ou melhor, vamos continuar exactamente na mesma linha, como até aqui: serviço dos doentes e suas famílias, serviço concreto dos eleitores. Queremos contribuir para a melhor resposta aos doentes de paramiloidose, acompanhando pontualmente todos os progressos de abordagem clínica desta terrível doença e agindo com sentido oportuno de responsabilidade sanitária e financeira. E continuaremos também a pressionar a indústria farmacêutica para mostrar o indispensável sentido da sua própria responsabilidade social. “A Saúde está primeiro!”

José RIBEIRO E CASTRO
Deputado do CDS-PP
Cabeça-de-lista pelo Porto