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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Europeias (6): Marine et TóZé, le même combat


As eleições europeias continuam a proporcionar, aos analistas, novidades em catadupa. Não há como seguir as últimas tendências da moda europeia. E a noite brilha já com a nova aliança entre os vencedores dos votos para o Parlamento Europeu em França e em Portugal.

Em Paris, a presidente do Front National (FN), Marine Le Pen, depois de ter vencido com 25% o escrutínio europeu, abriu a noite a apelar ao Presidente da República e líder do Partido Socialista, François Hollande, para convocar «novas eleições» nacionais: «Que pode ele fazer se não regressar ao povo, pôr em prática a proporcionalidade para que cada francês esteja representado» na Assembleia Nacional, a câmara baixa do parlamento, «e organizar novas eleições?» – questionou Marine.

Poucas horas depois, em Lisboa, António José Seguro ecoava a mesma ideia: «Se depender de nós, haverá naturalmente eleições antecipadas», disse o líder do PS no seu discurso após o triunfo dos socialistas nas eleições europeias. E precisou: «Cabe em primeiro lugar ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e ao vice-primeiro-ministro tirarem as ilações políticas desta eleição.»

Confirma-se, assim, que o novo PS se inspira e guia pelas novidades que circulam por Paris: depois do exílio de Sócrates e da eleição de François Hollande, chegou a vez do farol Marine. C'est français? C'est bon!

Ségurô/Le Pen, le même combat.

ACTUALIZAÇÃO: Certamente arrastado na mesma onda de entusiasmo, os comunistas da CDU juntaram-se também a esta Santa Aliança. Segundo o líder comunista, Jerónimo de Sousa, «a mais baixa votação de sempre destes partidos (PSD e CDS-PP) foi uma clara censura do povo português», não deixando, na sua opinião, qualquer «mão protectora de Cavaco Silva, por maior que seja a sua cumplicidade», uma «outra decisão que não a convocação de eleições antecipadas».

Passamos da histórica Frente Popular, a esta novel Frente Nacional Popular: Ségurô/Jérônimô/Le Pen, le même combat. 

domingo, 25 de maio de 2014

Europeias (3): O 3º voto de protesto


Continuando a série, o 3º voto de protesto destas eleições europeias é claramente a votação do PS, que as projecções não dão acima de 35%/36%. Este é também um protesto duro, que não deixará seguramente - não é piada o advérbio de modo... - dentro dos socialistas.

Para os socialistas, é uma vitória bem amarga a de hoje à noite: o PS é, há que dizê-lo, o vencedor formal das eleições, mas perde o que queria; e Seguro é claramente um derrotado. Não é preciso ser bruxo para imaginar que as facas-longas recomeçaram já a afiar-se.

Voltando à fasquia dos 40%, que alinhei no post anterior, o protesto eleitoral contra Seguro - e a linha de captura "socrática" em que este PS se arrasta - está em não ter conseguido ficar acima de 40%; e será tanto mais intenso quanto mais longe ficar desta marca. Na verdade, neste contexto geral, resultados do principal partido da oposição de cerca de 35%, ou ainda menos, são também uma pancadita jeitosa.

Recordando as europeias de 2004, em que a coligação PSD/CDS ficou nos 33,3% (a tal excepção), o PS, então liderado por Ferro Rodrigues, disparou reciprocamente para 44,5%. Ora, quando a direita e o centro-direita afundam brutalmente bem para baixo dos 40%, o facto de o PS não conseguir atingir essa fasquia, nem superá-la largamente, significa claramente que os eleitores não identificam uma alternativa no PS - pior que isso: que não querem mesmo identificá-lo como alternativa.

É esse o 3º protesto deste dia: "os outros estão mal; mas tu também"

Não é preciso ser adivinho, para antecipar grandes debates e confrontos no PS; e que António José Seguro provavelmente não chegará como líder às próximas eleições legislativas.

ACTUALIZAÇÃO: O resultado final também conseguiu ser bem pior do que as projecções que iniciaram a noite: 31,5% e pouco mais de um milhão de votos. Foi um dos piores resultados de sempre do PS para o Parlamento Europeu. Este paupérrimo desempenho, em tempo de maré favorável, só pode antecipar mudança - coisa que, aliás, o cartaz de campanha bem anunciava... (Ver Resultados)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Olh'ó o Miró a rir-se de nós

«Olh'ó Miró a olhar p'ra nós!»
Cada vez mais penso que quem meteu o PS de cabeça e desta forma no pântano dos quadro de Miró, quis certamente tramar António José Seguro. Se o PS andasse pelas ruas, percebia logo a coisa.

Este caso Miró pode significar para o PS ter perdido de vez as eleições europeias. E, se for assim, é bem feito - sobretudo se for por causa disso.

O caso Miró (e o modo como as vozes PS o abriram e dele falam) simboliza bem tudo o que nos trouxe a este desgraçado buraco de que tanto custa sair: "o dinheiro não custa", "a dívida não se paga" - nada importa, nada pesa. É fartar que a Ordem é rica.

É o fidalgo arruinado, relapso e impenitenente. 

Ao contrário, o primeiro-ministro tem andado bem - e certeiro. Ainda que a coisa devesse ter sido melhor tratada pela Parvalorem e pelo Governo - e rendido talvez mais, com menos polémica. Mas, até nisto, há uma crítica possível ao centro ou à direita (talvez volte a este ponto) e outra crítica que se faz à esquerda. Ora, a oposição à esquerda tem sido um desastre. Mais: tem sido o desastre!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Os culpados

Na comunicação de ontem, o Presidente da República lamentou o insucesso das conversações interpartidárias a três: 
«Desde a primeira hora, dei o meu apoio inequívoco à realização desse Compromisso [de Salvação Nacional]. Lamento que, após seis dias de trabalho conjunto, os três partidos não tenham conseguido alcançar o entendimento desejado.» 
 E acrescentou: 
«Não quero recriminar nenhum partido.»
Cavaco Silva fez bem. As conversações romperam - é certo - pelo PS, como todos vimos. Mas - é altura de lhe fazer justiça - a culpa não foi de António José Seguro e da sua direcção. Nenhum partido, por isso, deve ser recriminado. 

Os culpados, os verdadeiros culpados foram estes:


Foram Soares e Sócrates que mobilizaram as suas hostes e que, pelo poder de condicionamento interno que mantêm sobre o Partido Socialista, sabotaram as conversações tripartidas para um acordo patriótico, o Compromisso de Salvação Nacional. Mário Soares foi ao extremo de ameaçar com uma cisão do PS. E José Sócrates, que tem contas antigas a ajustar com Cavaco, usou o palco privilegiado da RTP para emitir continuamente as suas "instruções".

É triste, mas absolutamente sintomático da nossa decadência e da crise nacional profundíssima que atravessamos, que um ex-Presidente da República e um ex-Primeiro-Ministro se comportem desta maneira. 

Não acrescentam patriotismo, mas rancor sectário. Não agem como estadistas, nem sequer ex-líderes de partido, mas como chefes de facção. Não exercem uma função de elevação, ponderação e compromisso, mas o contrário: baixeza, mediocridade, fractura.

Desditosa Pátria, que tais ícones tem!

Quando sentirmos que é mais fraca a nossa capacidade negocial com as instituições internacionais, agradeçamos a Soares e Sócrates. Quando não conseguirmos atenuar mais os pesados sacrifícios exigidos aos Portugueses, agradeçamos a Soares e Sócrates. Quando lamentarmos não melhorar mais depressa as condições de crescimento da economia e de criação de emprego, agradeçamos a Soares e Sócrates. Quando ouvirmos tremer a conclusão com êxito do Programa de Assistência Económica e Financeira, agradeçamos a Soares e Sócrates. Quando nos disserem que pode perigar o regresso do País aos mercados em condições mais favoráveis, agradeçamos a Soares e Sócrates. Quando recearmos poder voltar a ser comprometido o normal financiamento do Estado e da economia, a médio e longo prazo, agradeçamos a Soares e Sócrates.

São estes os falhados, os perdedores, que fizeram fracassar o que era bom para Portugal.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

I am your leader, I must follow you


Vi agora pela televisão: Seguro a entrar na sede do Largo do Rato para a reunião da Comissão Política Nacional dos socialistas. A reunião esteve apontada para ontem, mas foi desmarcada para hoje à noite.

Compreende-se bem, por isso, a razão por que foi anunciada, já com a tarde avançada, a comunicação de António José Seguro, há pouco, às 20:00 horas, em que anunciou o rompimento das conversações com PSD e CDS para um compromisso de salvação nacional. Foi uma operação bem medida para desencavilhar as granadas armadas para agora à noite - uma manobra digna de experimentados peritos em minas e armadilhas.

O tom e a vozearia dentro do PS tinham vindo a subir, em tons graves e agudos da mais variada sorte. De Mário Soares a Isabel Moreira, passando por João Galamba e vários outros, o coro engrossara com ameaças e pressões. E,se não fossem desarticuladas rapidamente as conversações PSD/PS/CDS, não é difícil imaginar as dificuldades e a dureza que Seguro enfrentaria hoje à noite. 

Por isso, ao estilo dos grandes líderes, Seguro avançou... recuando. E escolheu de vez o mote do seu mandato: I am your leader, I must follow you - que é como quem diz "tenho de ir atrás de vocês, pois sou o vosso líder". Não é brilhante, mas é assim. 

"Salvação nacional? O que é isso?" - pergunta, afinal, o PS, completamente desinteressado da sorte dos portugueses e do destino de Portugal. Também não é brilhante, mas é assim. Adiante.

sábado, 27 de abril de 2013

Pozinhos de perlimpimpim


Afinal, a presença do druida Panoramix não passava de boato - o mesmo que as promessas de «croissance» do Presidente socialista francês François Hollande. Os serviços do Congresso socialista desmentem a sua presença, na Feira, logo à noite.

A ideia que corre, agora, insistentemente entre os observadores bem informados é a de que a alternativa socialista será apresentada, a seguir ao jantar, por António José Seguro, em modo Peter Pan, e Maria de Belém, trajando de Sininho, que deslumbrarão Portugal inteiro, incluindo o Palácio de Belém, com o segredo alternativo do PS: pozinhos de perlimpimpim.

Fonte privilegiada obteve mesmo o que assegura ser a gravação do ensaio geral desse "momento mágico". António José Seguro e Maria de Belém terão feito este teste, no Largo do Rato, no passado dia 25 de Abril, depois das cerimónias parlamentares em que Cavaco Silva proferiu um discurso indigesto. Antecipamos esse "momento mágico" em rigoroso exclusivo:


Acrescente-se, para os mal-intencionados, que tudo isto é SCUT, isto é, rigorosamente sem custos para o utilizador. Segundo nos informam, os trajes de um e de outro (Peter Pan e Sininho) terão sido postos graciosamente à disposição da Comissão Organizadora do Congresso pelos promotores do Carnaval de Ovar.

Poção mágica


Já começaram a circular os rumores. 

Fontes fidedignas asseguram que, entre os dignitários estrangeiros presentes no Congresso do PS, não se destacam apenas as presenças de Rubalcaba, líder do PSOE espanhol, e de Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu.

A surpresa do dia, vinda especialmente de França, estará garantida com a participação de Panoramix, o druida: deslumbrará o Congresso e a Nação preparando em directo, logo à noite, a poção mágica que a todos trará crescimento instantâneo, fartura abundante, descanso eterno. Essa será - garantem - a "alternativa valiosa", ontem prometida por António José Seguro.

Apesar de o facto estar rodeado de grande segredo, há quem jure ter visto já, ontem à noite, o popular e simpático druida gaulês a deliciar-se com ovos moles em Aveiro, antes de ir pernoitar num bosque em Cortegaça. Já não estará longe, portanto, de Santa Maria da Feira.

Preparem as rotativas!


Começou ontem o Congresso do PS. Sem novidades. O secretário-geral reeleito com amplíssima maioria - António José Seguro - reafirmou, no seu discurso de abertura, a promessa do "crescimento" para já, esconjurou a necessidade de austeridade e assegurou que tem uma "alternativa". Tudo isto, ao mesmo tempo que garantiu que «o PS honrará as dívidas do nosso país e respeitará as obrigações decorrentes de sermos membros da zona euro.»

O país ficou, assim, posto à espera de que, durante o dia de hoje e de amanhã, os socialistas avancem as ideias alternativas que têm para assegurarem um ainda mais generoso financiamento do Estado - recordemos que o défice público deste ano será, apesar dos sacrifícios, ainda de 5,5% do PIB, quase 9 mil milhões de euros! - e, além disso, o financiamento do crescimento da economia.

Preparem, pois, as rotativas: vêm aí novidades em barda! E certamente notas com fartura. Venha o dinheiro! Como dizia o imortal Jorge Perestrelo, «é disto que o meu povo gosta!»

Se assim não for, o Congresso socialista de Santa Maria da Feira, não passará de mais um saco cheio de nada.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Lírica camoniana

Havia uma grande expectativa pelo discurso do líder do PS, António José Seguro, na abertura do debate do Orçamento de Estado. Viriam novidades, surpresas e alternativas. Foi assim:


Não valeu muito a pena. Nem pela forma, nem pela substância. Na verdade, foi uma seca.

Sobrou a inspiração poética numa bancada parlamentar para dar sentido ao dia:

Atrapalhado vai para a tribuna
Tó Zé, pela bancarrota;
vai formoso e não seguro.
Leva na cabeça o mito,
a treta nas mãos de artista,
finta de fino recorte,
ensaio de aldrabote;
traz a ladaínha de cor,
mais falsa que mentira pura;
vai formoso e não seguro.